Não voltam mais


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No último domingo, assistindo ao ‘Fantástico’ da Rede Globo, ouvi a música ‘Bandeira Branca’, de Max Nunes e Laércio Alves. Confesso que senti uma saudade danada dos carnavais de salão de minha juventude. 
 
Tenho bem vivos em minha memória os bailes carnavalescos do clube cassiense, quando ainda aconteciam no prédio existente no cruzamento da rua da Liberdade com a Aviador Azevedo Borges. 
 
Ali, pessoas de todas as faixas etárias brincavam animadamente as quatro noites carnavalescas.
 
Recentemente, o velho casarão acabou sendo vendido à Prefeitura pelo clube. Reformado, o município lá instalou a Casa da Cultura. Todos, na região, são cônscios de que o carnaval cassiense era — e ainda é —, um dos mais animados da região. Nas décadas de 60, 70 e 80 eram três os clubes da cidade — ‘O Cassiense’, o ‘Pica-Paus’ e o ‘Popular’. Hoje, só primeiro ainda se mantém ativo. 
 
Além dos animados bailes, Cassia tinha — e, nesse particular, ainda tem —, destacados e tradicionais blocos carnavalesco, dentre eles o ‘Adis Abafa’, ‘Cartolas’, ‘Arrelia’, ‘Marujos do Samba’, ‘Unidos da Vila’, ‘Piratas’, ‘Cabelos Brancos’, ‘Índios’, ‘Spuma de Cana’ e tantos outros. 
 
Destes, alguns subsistem, outros, infelizmente, não mais. Terminados os desfiles dos blocos, os foliões se deslocavam para os clubes, onde reinavam, soberanas, marchinhas de João de Barro, Braguinha, Noel Rosa, Ary Barroso, Alberto Ribeiro e Lamartine Babo, dentre outros compositores famosos do gênero.
 
Hoje, esses bailes não acontecem mais. Agora, a Prefeitura contrata bandas que se apresentam depois dos desfiles dos blocos nas ruas, em palcos armados na praça Barão de Cambuí, a mais central daquela cidade mineira. 
 
Para muitos, o modelo de hoje proporciona a democratização do carnaval cassiense, pois ricos e pobres brincam ocupando o mesmo espaço, só que ao som de música axé. Marchinhas ficaram no passado.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
 

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