A PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), feita pela Fecomércio (Federação do Comércio de São Paulo), indica, para o mês de julho último, certa estabilização. Mas, de qualquer forma, revela também preocupação. No começo do ano (jan-14), 54,7% das famílias pesquisadas estavam endividadas, enquanto que no mês de julho este percentual baixou para 50,1%. Nada mal, se lembrarmos que há um ano atrás aquele volume chegava a 57%.
A PEIC é feita com base em amostra de 2,2 mil consumidores no município de São Paulo e possibilita acompanhar o nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção quanto à capacidade de saldar compromissos. Trata-se de informação importante para o processo de decisão dos empresários do comércio e de outros agentes econômicos. Os resultados de julho informam que ‘dos endividados’, 13,5% têm contas em atraso e 4,9% revelam que não tem condições de pagar. O dado mais preocupante deste mês de julho é quanto ao prazo de comprometimento da renda das famílias endividadas: para 39,1% delas, sua renda está comprometida com dívidas por mais de um ano!
O consumidor paulista e, de resto, o brasileiro, está em situação delicada quanto às suas finanças domésticas. Veja-se o cerceamento da renda das famílias por mais de um ano, quase 40,0%. Não é sem razão que empresários do comércio, bancos e organizações financeiras estejam atuando com mais rigor e cuidado na concessão de crédito. Sobram apelos publicitários, mas na hora de fechar negócio ‘a prazo’, as coisas ficam diferentes.
Descontrole financeiro é a causa mais comum da inadimplência e do endividamento, mas há também a questão do emprego/renda. Mesmo com perspectiva de contratações na área de serviços para o fim do ano, na indústria a situação preocupa. Todo cuidado é pouco para famílias e fornecedores de crédito.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.