A seca que assola o Estado de São Paulo e outros da região Sudeste do Brasil continua castigando a produção agrícola e, mais do que isso, levando incertezas à população urbana. A principal consequência (queda no nível dos reservatórios de água que abastecem grande parte dos municípios do Estado) tem criado uma série de problemas à população paulista, principalmente a residente na Região Metropolitana de São Paulo e municípios vizinhos que dependem do Sistema Cantareira. A dona de casa (não só lá, mas também aqui) já percebe a redução na vazão da água nas torneiras em certos períodos do dia, quando não há um corte que pode se estender por horas.
A falta de planejamento e de investimentos em busca de uma solução para o abastecimento de água fica patente quando se sabe que o recurso é finito. Há países no mundo que têm encontrado formas de pelo menos amenizar uma falta futura. Localizado em uma região inóspita, onde faltam recursos naturais como os existentes no Brasil, Israel consegue uma consistente produção agrícola ao tratar a água do mar, retirando o sal, a qual é utilizada na irrigação das plantações e até para o uso humano. Outros países trabalham da mesma forma, diante da redução das reservas atuais.
No Brasil, confiando na abundância de nossos recursos naturais, a água de rios e grandes reservatórios subterrâneos (como o Aquífero Guarani, que abastece centenas de cidades não apenas em São Paulo, mas também de outros Estados), as autoridades do setor deixaram de se preocupar com alternativas viáveis não apenas para reduzir o consumo diário: também não se capta de outras fontes, como a própria água do mar. Grande parte da água consumida no Brasil desce pelo ralo de pias, banheiros e lavanderias. Como retorna à natureza, nunca se debateu a necessidade de estudos em termos de futuro.
A estiagem em São Paulo expõe claramente um grave problema: o que iremos legar às gerações futuras? Para se ter uma ideia da gravidade da situação, a captação de água em rios já se tornou uma questão política e deve ser uma das questões fundamentais que os adversários utilizarão contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tenta a reeleição. Além disso, os Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro travam uma batalha em torno da utilização do rio Parnaíba do Sul, que abastece reservatórios em duas das mais importantes unidades da Federação.
Por isso, deve-se cobrar dos que forem eleitos daqui para frente, em todos os níveis, uma posição clara sobre a questão da água e as propostas para que possamos reduzir a dependência, abalados que ficamos a cada mudança climática. Israel já mostrou que é possível e encontrou sua saída diante de uma situação difícil. Aruba e Curaçao, no Caribe, também. Que esta crise em São Paulo seja o estopim para uma verdadeira união dos entes públicos e especialistas em abastecimento para que fórmulas sejam elaboradas e testadas. Caso isso não aconteça, certamente o futuro das próximas gerações será bastante difícil, com a escassez cada vez maior de um elemento essencial à vida na Terra.
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