Tarifa zero para os usuários do transporte público, polícia sem arma, fora Alexandre, legalização de todos os tipos de drogas. As opiniões de Ulisses Pinheiro podem até não agradar parte da população, mas ele tem propostas claras e vai lutar por elas durante a campanha eleitoral. O candidato a deputado estadual pelo PSol abriu, ontem, a série de sabatinas promovida pelo GCN. Tranquilo e com facilidade para se expressar, não deixou perguntas sem respostas. O eleitor que procura alguém que defenda a radicalização da democracia encontrou o seu representante. “Quem vota no PSol é quem vota nas ideias.”
Ulisses não se preocupou em desagradar os eleitores mais conservadores. Falou o que pensa e no que acredita. Foi assim quando defendeu a legalização de todas as drogas. “Quem vai preso no Brasil por conta das drogas? Negros e pobres. É fundamental ocorrer a legalização para que haja um combate efetivo ao tráfico. Não dá para combater o tráfico através dessa guerra civil: polícia contra o morro.” Ele ressaltou que legalizar não quer dizer liberar o acesso irrestrito à droga. “Legalização é com um controle do Estado, que controla o acesso à droga e tudo mais. Não é uma postura a favor das drogas, muito pelo contrário, é uma postura contra o tráfico de uma maneira inovadora.”
O candidato do PSol defendeu a estatização do transporte público e a implantação da tarifa zero. Os recursos para bancar o serviço viriam do imposto a ser cobrado dos mais ricos nas três esferas do governo. “Em nível Federal, seria feita a taxação de grandes riquezas para criar um fundo destinado à implantação da tarifa zero. Na esfera estadual, a taxação de IPVA para aqueles que têm mais de dois automóveis e, na esfera municipal, a taxação do IPTU para aqueles que têm mais de um imóvel.”
Participante ativo das manifestações populares, Ulisses apoia a campanha “fora São José” e a que pede o impeachment do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Afirmou ser contra os atos de violência nas manifestações, mas disse que não concorda com a maneira como os manifestantes são tratados. “Aquele jovem que está na periferia, que é excluído na educação, na saúde e no transporte, o que esperar dele, quando ele vem até o centro protestar? Sou contra a violência, converso com aqueles que resolvem praticá-la, mas também não criminalizo como é feito por muitas pessoas e muitos candidatos.” Na opinião de Ulisses, Black Bloc não é caso de polícia. “Eles fazem parte de um problema social e devem ser tratados como tal.”
O candidato disse que a grande responsável pela violência no Estado é a Polícia Militar e defendeu a desmilitarização da corporação. As armas só seriam usadas para o enfrentamento com bandidos. “Defendemos que a polícia do trato cotidiano, a ronda escolar, aquela que vai ajudar a organizar as manifestações nas ruas não esteja armada. Hoje, a polícia foge de controle, sobretudo, no trato com o pobre, na periferia, o que gera uma alta taxa de mortes.”
Ulisses defendeu a “radicalização da democracia”, como forma de ampliar a participação popular nas decisões políticas, e posicionou-se contra a campanha Voto Nosso por entender que a iniciativa criaria um curral eleitoral na cidade que permitiria uma política de troca de favores. “Meu objetivo é a defesa de direitos para todo o Estado.”
Os melhores momentos da entrevista do candidato do PSol serão publicados na edição de domingo do Comércio da Franca.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.