Por causa dos rumos da política econômica brasileira, que continua apresentando índices negativos em todos os setores, dificilmente será possível evitar o aumento de uma série de preços administrados pelo governo federal, como tarifas de energia e água, combustíveis e transporte. Analistas ainda acreditam, seja quem vencer o pleito de outubro, que aumentos vão continuar fazendo parte da vida do brasileiro em 2015, principalmente por causa do represamento dos reajustes que tem sido norma nos últimos anos. Os empréstimos concedidos às concessionárias de energia vão impactar a conta de luz ao longo do próximo ano, enquanto a crise da água acabará se refletindo no bolso do contribuinte. Gasolina e diesel, cuja defasagem impacta as contas da Petrobras, também deverão subir.
Junte-a a isso os indicadores econômicos dos últimos meses, principalmente no que tange ao mercado de trabalho. Tudo isso comprova que os próximos meses serão bastante difíceis, explicitando o descontrole da política econômica levada a cabo pelo Planalto. Além da queda dos empregos formais na indústria, a desaceleração nas vendas do comércio que bateu forte no varejo, especialmente na época da Copa, teve impacto negativo no emprego do setor. De janeiro a junho, as lojas mais demitiram do que contrataram em todo o País. E o cenário ruim deve persistir até o final do ano.
Tudo isso cria um efeito cascata que, como sempre, desemboca no bolso do contribuinte. Enquanto o desemprego na indústria causa uma retração nos setores de serviços e no comércio, o crescimento das demissões também provoca um reflexo negativo acentuado na capacidade de pagar contas, elevando a inadimplência. Com aumento das tarifas e serviços, a pressão sobre a massa trabalhadora também torna a situação ainda mais complicada. Cria-se um círculo vicioso que prejudica o trabalho, a economia como um todo, e acaba pressionando para baixo índices como inflação e PIB (Produto Interno Bruto) que seguem pressionando emprego e renda.
Com os aumentos esperados (e a Petrobras já se movimenta no sentido de reajustar logo os preços da gasolina e do óleo diesel), começa tudo de novo, empurrando ladeira abaixo toda a cadeia produtiva e, em consequência, a movimentação financeira em torno do trabalho e da capacidade de investimento. A política de desonerações implementada no final de 2008, ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e que vinha sendo mantida pela presidente Dilma Rousseff, a princípio foi capaz de conter o desemprego e os índices inflacionários, mas hoje perdeu totalmente a eficácia.
A Copa do Mundo no Brasil, apontada como a tábua de salvação da economia brasileira, embora tenha atraído turistas e movimentado dólares nas cidades-sedes, causou prejuízos por todo o Brasil. A indústria têxtil viu seus produtos encalhados e, em consequência, o comércio também foi afetado. Enquanto não houver uma política clara, capaz de tirar os setores produtivos do buraco, continuaremos vivendo esta onda de incerteza.
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