Segundo domingo de agosto de 2014 e mais um Dia dos Pais será comemorado. Para homenageá-los, o Comércio selecionou três histórias de homens que puderam viver a experiência da paternidade. Um dos personagens é o pai da repórter do jornal, Lydia Rodrigues, que assina essa matéria. A escolha é porque Jerônimo era padre e decidiu “encostar” a batina pois sonhava ser chamado de pai. Casado há 26 anos, ele tem duas filhas. Outro personagem é José Diniz, um homem que viu crescer três gerações de sua família. Outra história registrada é a de Sérgio, coordenador do Recanto Aconchego, que no dia a dia assume a figura de “pai” das crianças da instituição.
‘Gosto da casa cheia, agradeço a Deus pela minha família’
Oito filhos, oito netos e um bisneto. “E tem mais um neto a caminho”, vibra José Diniz de Souza, 75. Para o pedreiro aposentado que é pai, avô e bisavô, as figuras do pai e da mãe são o centro de uma família. Nos extremos das gerações da família do seu Zé estão sua filha mais velha Márcia Teixeira, de 50 anos, e o bisneto Raul Maciel, de seis anos de idade. É seu Zé quem divide a sabedoria das experiências de vida com os filhos, brinca com os netos e é o Papai Noel dos pequenos. O Dia dos Pais é uma data muito especial para ele, marcada pela união da família. “No Dia dos Pais é aquela festança, cada um me traz um presente!”
Com os filhos já adultos - a caçula tem 34 anos, ele diz se sentir como se fosse pai dos netos. “A gente se preocupa mais que os próprios pais, dá conselho e cuida, é mania de avô.” Ter uma família grande era o sonho de seu Zé: “Quando me casei, há 51 anos, falei para minha mulher que queria ter um punhado de filhos. Mas para criar minha família no começo foi muito difícil. Quando nasceu minha primeira filha, não tinha profissão, escola, nem casa própria”, conta.
Com trabalho e persistência, ele conseguiu um bom emprego e construiu sua própria casa. “Agora só mora eu e minha mulher onde já moraram dez pessoas. Mas gosto mesmo é da casa cheia, então agradeço a Deus pela família que ele me deu.”
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‘Sempre quis ouvir uma voz me chamando de pai’, diz ex-padre
Em 1981 Jerônimo Francisco de Souza, 62, se ordenou padre. Atuou em São José da Bela Vista e na Paróquia São Benedito, em Franca. Porém, com o tempo, ele foi percebendo que o sacerdócio não lhe permitia viver “uma dimensão afetiva e espiritual que faltavam em sua vida”, que era constituir uma família. Assim, em 1987 decidiu deixar de ser padre. “Jamais me arrependi de ter sido padre. Mas chegou um momento que vi que tinha cumprido minha missão.”
Jerônimo entrou para o seminário em 1977, foi padre durante seis anos e após sair da igreja, conheceu a atual mulher, Marilda. Os dois são professores aposentados e se conheceram em uma escola. “Hoje, após 25 anos de experiência como pai, posso dizer que ser pai para mim foi como uma continuidade do sacerdócio, no sentido de ser uma vocação. Porque pude aplicar de forma concreta conceitos que havia aprendido e conhecer melhor o ser humano”, afirma.
Jerônimo é professor de filosofia aposentado e é pai de duas filhas, Lydia, 25, e Laís, 19. Para ele, o sacerdócio foi uma missão que ele cumpriu na vida. Além de ter sido uma oportunidade de estudar, o que o ajudou na carreira de professor. “Ver os filhos chamarem seus pais mexia comigo, sempre quis ouvir uma voz me chamando de pai. Ao formar minha família, completei meu sonho, o que achava que deveria ser na vida.”
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‘Os meninos aqui da instituição acabam sendo a família da gente’
“Tio Sérgio! Tio Sérgio!” É o que se ouve quando o coordenador do Recanto Aconchego passa perto das crianças da instituição. Sérgio Francisco de Lima, 52, é a personalidade masculina que as 39 crianças e adolescentes que estão abrigadas do Recanto tomam como referência para superar dificuldades e dividir alegrias.
Sérgio os orienta a não o chamarem de “pai”, mas tratá-lo por tio ou amigo. Apesar disso, ele reconhece que acaba desempenhando o papel de pai muitas vezes. “Aqui no Recanto, sempre tivemos mulheres trabalhando com as crianças e jovens, aí em 2013 entrei para coordenar a instituição, pois percebia a falta da figura masculina. Hoje eles me procuram para pedir conselhos sobre profissão e relacionamentos pois a maioria é homem e se sente mais a vontade falando comigo.”
Este domingo será o primeiro Dia dos Pais que Sérgio vai passar trabalhando no Recanto ao lado dos novos “filhos”. “Os meninos andam muito comigo, estamos sempre juntos com eles. Meus três filhos moram fora, então os meninos aqui da instituição acabam sendo a família da gente”, disse Sérgio, que se orgulha de ter formado os filhos engenheiro químico, psicóloga e enfermeira e de agora ajudar crianças carentes e vitimizadas a reconstruir suas histórias. “A visão do Recanto é preparar esses jovens para que eles consigam ser autosuficientes e possam administrar e tomar conta da própria vida e ajudá-los a assumir essa responsabilidade faz parte do meu trabalho.”
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