Lar Dona Leonor abriga 43 mulheres; veja como é dia a dia na casa


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Aula de pintura feita como terapia ocupacional: criatividade e distração para as moradoras da instituição
Aula de pintura feita como terapia ocupacional: criatividade e distração para as moradoras da instituição
Segurando pincéis, parte das 43 internas da Instituição Espírita Nosso Lar transportava do imaginário para a tela um cenário de flores, borboletas e frutas - muitas vezes abstratas - durante aula de pintura, uma das atividades promovidas pela terapia ocupacional praticada no local. Distraídas, mal davam atenção ao bichano Negão, mascote que observava o evento recostado em uma poltrona. “Elas adoram esse gato”, pontuou a assistente social Rosângela de Paula. Há poucos passos dali, o sol e belas hortênsias azuladas no jardim convidavam as senhoras a sentarem-se com a promessa de espantar a brisa fria da manhã do último dia 29, quando o Comércio acompanhou por algumas horas as rotinas das idosas. Tão logo finalizaram suas obras de arte, aceitaram a proposta e dedicaram um tempo a observar o jardim e conversar sobre a vida. “Sabe o que eu queria mesmo? Um copinho de vinho”, disse sorrindo dona Aparecida, no auge de seus 98 anos.
 
O dia a dia das mulheres que habitam o Nosso Lar, conhecido como Lar Dona Leonor, começa pouco depois dos primeiros raios solares. Por volta das sete horas, esperam no calor de suas camas pela primeira refeição, tendo sua disposição física respeitada. “Quem preferir passar um tempo maior na cama, também pode. Cada uma tem seu ritmo. Há ainda aquelas que preferem tomar o café no refeitório, em conjunto”, disse Rosângela. As que optam por pôr-se de pé, tomam o rumo do chuveiro e logo partem para a terapia ocupacional, que além de pintura, trabalha com culinária e outras atividades manuais. 
 
Em três dias da semana, as senhoras recebem as visitas de médicos que acompanham suas saúdes física e mental, além de crianças que aproveitam para conhecer a outra ponta da vida. “Convidamos escolas para promover esse encontro intergeracional. A ideia é que haja uma troca de saberes entre as idades”, conta a anfitriã do lar, Rosângela. Também convivem com as “meninas” voluntários que levam diversão e música ao espaço e, às sextas-feiras, é a vez delas visitarem o mundo fora do lar. “Sempre programamos passeios. Vamos muito ao shopping e até mesmo ao cinema.”
 
Num quarto extremamente organizado, roupas, edredons, pelúcias, maquiagens e outros produtos de beleza doados ficam expostos. Durante a semana, o local se torna um bazar, onde as vaidosas escolhem o que querem para si e promovem troca entre elas. “Eu adoro bijuteria e maquiagem. Sou vaidosa, alegre e comunicativa desde menina”, disse Sonia ao lembrar dos tempos em que exercia a função de secretária.
 
Entre as muitas histórias que se encontram ali, está a de Maria Sonia. Filha adotiva de Aparecida, também interna do lar, nunca teve outra profissão que não a de cuidar da mãe. Com o avanço da idade, preferiu continuar com a mulher que a escolheu como filha a tentar uma vida longe dela. “Era muito difícil, para nós, ficarmos sozinhas. Quando trouxeram minha mãe para cá, eu vim junto.”
 
O perfil das internas não é de abandono. Apenas três casos se caracterizam como tal. Do restante, são mulheres sozinhas, que viram na debilidade da velhice a necessidade de uma mão de amparo, como a do Nosso Lar. “São senhoras acima dos 60 anos, salvo raras exceções. Mulheres que, mesmo com famílias, viviam sozinhas. Temos caso em que os filhos querem a mãe em casa mas ela prefere viver aqui”, disse a assistente social.
 
Pequenos detalhes
A alegria do lugar reside em pequenos detalhes. Além do jardim e das plantas, cuidadas pelas próprias idosas, as paredes dos quartos são pintadas conforme a cor escolhida pelas moradoras. Há painéis rosas, amarelos, verdes e azuis. Em cada dormitório, há quatro cômodas particulares, que sustentam porta retratos, aparelhos de som, TV e objetos pessoais, como roupas e espelhos. Além das atividades recreativas, salas com TVs são utilizadas em conjunto para assistir e discutir as novelas. Entre as ações preferidas estão a narração de histórias, feitas por uma contadora dedicada, que veste a pele de personagens para trazer à tona um mundo de fantasias.
 
Manutenção
Atuante desde 1965, o Nosso Lar nem sempre foi um recanto exclusivo para quem muito viveu. Em seus primeiros anos, a fundadora também abrira suas portas para crianças sem famílias. “Com a criação dos Estatutos do Idoso e da Criança, tiveram que optar por um ambiente, e as idosas continuaram na instituição.” O Nosso Lar se mantém com subsídios do governo do Estado mas a renda principal vem do município. Atendem ali profissionais voluntários como psicólogo, médicos, dentista e farmacêutico. Além da boa vontade, a instituição conta com 38 funcionários, entre equipe de enfermagem, cuidadores, cozinheiros, assistente social, terapeuta ocupacional e outros.

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