A estiagem prolongada e o calor excessivo registrados no primeiro semestre deste ano começaram a surtir efeitos negativos na agricultura da região de Franca. Produtores de café estimam perdas e temem que o prejuízo se estenda para safras futuras.
De acordo com dados da Ciiagro (Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas) e da Defesa Civil do Estado de São Paulo, somente em Franca, de janeiro a junho, choveu apenas 494,9 milímetros, menos da metade do registrado no mesmo período no ano anterior (1.078,3 milímetros).
Com água a menos, culturas dependentes de umidade sofreram e tiveram uma produção inferior à esperada. Esse foi o caso por exemplo do café. Em muitas lavouras, principalmente as mais novas, houve má formação do grão, o que tem exigido um maior volume para encher as sacas.
Segundo o relatório do CNC (Conselho Nacional do Café), a região deve registrar corte em torno de 10% na safra - cerca de 1,3 milhão de sacas ante as 1,5 milhão previstas anteriormente pela Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca).
Produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Pedregulho, Ely Brentini, confirma a baixa na safra e disse que não só o café como também outras culturas como de milho, soja, feijão e pecuária de leite e corte tiveram redução na produção com a estiagem. “Todas as culturas sofreram, mas o rendimento da colheita do café foi um dos mais prejudicados na região. Acredito em uma queda que pode chegar a 400 mil sacas.”
Há sete anos produzindo café em Itirapuã, Luiz Fernando Barcellos estima que a atual safra será a pior em resultado. “Minha lavoura estava cheia de café e sofreu muito com a seca. Em uma lavoura razoável se produz 40 sacas por hectare, porém depois dessa estiagem não vou produzir nem 10 sacas”, lamentou.
No caso do também cafeicultor Anderson Martins, de Patrocínio Paulista, além da queda de produção no cafezal, ele ainda contabiliza prejuízos na lavoura de mandioca. Diferente do ano passado, dessa vez o vegetal não cresceu e ficou fino, justamente por falta d’água, embora tenha mantido a qualidade.
Sem desenvolver
O professor do Colégio Agrícola de Franca, Claúdio Ribeiro Sandoval, atualmente no cargo de diretor da escola, afirmou que o café sofreu porque não choveu no período em que ocorreria o desenvolvimento dos grãos. O resultado foi um grão murcho, sem peso. O mesmo, segundo ele, aconteceu com a granação do milho e da soja. “Onde não houve perda, a produção ficou mais cara pois se gastou mais com energia e irrigação.”
Em Ibiraci (MG), o engenheiro agrônomo da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais), Luiz Otávio Andrade Borges, nas lavouras novas de café a colheita deve cair de 37 sacas por hectares para 33. O município tem 11 mil hectares em produção. Já em relação ao milho, o número de sacas colhidas por hectares reduziu de 140 para 90. “Apesar de uma cultura de pequena representatividade na região, o milho apresentou uma grande quebra. Por não ter irrigação e não ter chovido em janeiro, a espiga não encheu.”
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