Sensação de insegurança


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Crescimento do número de roubos, preferência de ladrões por celulares, tiroteios em vias públicas de intenso movimento, são fatores de intensificação na sensação de insegurança. Se é gravíssimo na metrópole, não é insignificante em pequenas comunidades. São alvo de ações audaciosas como explosão em agências bancárias, estouro de caixas eletrônicas e bandidagem explícita. A questão é complexa e permite múltiplas leituras, algumas ideologizadas. 
 
O Brasil tem um Estatuto do Desarmamento, mas homicídios constatados. em regra. são praticados com arma de fogo. Por que não funciona a apreensão de armas numa conurbação complexa como a da capital paulista e arredores? A presença da PM em revistas permanentes e contínuas, reduziria o índice dessa delinquência. Além disso, é preciso investir em inteligência. A PM é celeiro de vocações que se aperfeiçoa no decorrer do tempo. A carreira tem disciplina, hierarquia e formação contínua como diretrizes. Contemplar talentos e premiá-los com a coordenação de estratégias adotadas e comprovadas em outras partes do mundo seria estímulo ao afastamento de corporativismo personalista. 
 
Numa Democracia Participativa, os organismos estatais devem trabalhar coordenados e com efetiva atuação da sociedade civil. Nenhuma pode se isolar e levar vida autônoma, desvinculada de funções institucionais. Deixar cada corporação à própria definição do que deva ser feito é lesivo. Aumenta a sensação de desgoverno e não atende expectativas da comunidade que, afinal, é quem sustenta o equipamento e tem não só o direito, mas a obrigação de zelar por seu regular funcionamento. São ponderações que deveriam motivar responsáveis, hoje pouco prestigiados com a argumentação de que o crescimento da criminalidade é sazonal, resulte de progressos de tecnologias de informação. e de que tudo está sob controle. É outra a sensação da sociedade acuada.
 
José Renato Nalini
Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo 

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