Meritocracia


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Perguntou-nos atenciosa leitora porque, sendo gêmea de um irmão, nasceu em perfeitas condições físicas e ele com sofridas imperfeições. Castigo divino? Azar? Hereditariedade? A resposta nós a temos na realidade do espírito. Deus, Inteligência Suprema, sabedoria e justiça infinitas, criou-nos simples e sem mácula, concedendo-nos, contudo, o indispensável direito de, no curso da nossa evolução, fazermos o que bem entendermos. Mas, a ideia de liberdade há que incluir responsabilidade. A cada ação nossa, uma reação. Respondemos agora pelo que fizemos, e responderemos depois pelo que estamos fazendo. Assim, sempre haverá justiça, jamais castigo divino, azar, ou herança. Trata-se, isto sim, de autopunição. É a própria consciência, arquivo das implacáveis Leis Divinas, a empreender esforço de substituir conduta que as infringe pela obediência que felicita. 
 
Lembramos que corpo físico é instrumento a nos alavancar o progresso moral rumo à imortalidade. Mas, onde a Misericórdia Divina? Simples: está em dois lances de nossa trajetória evolutiva. Um, nas existências em corpo perfeito para que possamos realizar o bem, outro, representado pela sucessão mesma dessas oportunidades. Só depois de repetidos fracassos em cada reencarnação é que pedimos para renascer em corpo defeituoso, para garantir-nos a desejada redenção.
 
Considere-se que a justiça da reunião familiar não envolve jamais espíritos que não tenham compromissos entre si. Porquanto, cabe a você e a quantos se envolvem afetivamente com seu irmão, o cumprimento de ajustes necessários à libertação de todos. Uns, com envolvimentos maiores, outros, menores, mas todos comprometidos. 
 
Não nos esqueçamos de que, a propósito da disposição ‘olho por olho, dente por dente’, ou ‘quem fere com a espada, com a espada se ferirá’ recebeu o irresistível impacto da versão amorosa do Mestre Jesus: ‘A cada um segundo as suas obras’, mas, todos redimir-se-ão. E outorgou-nos muito mais o Mestre, na certeza de que o perdão, a caridade e a fé nos serão sempre a venturosa certeza da paz. É o império meritocrático.
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
 
 

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