Ninguém deve ter ficado indiferente ao fato noticiado na edição de ontem do Comércio, com repercussões nos demais veículos do GCN (Rádio Difusora e Portal). A indignação foi a primeira reação de quem leu a reportagem. A partir daí, os sentimentos afloram e passa-se pela raiva até desembocar na repulsa e na revolta que um crime hediondo provoca. Não há mais como tolerar e suportar a violência batendo à nossa porta, sem que haja qualquer expectativa quanto a uma regressão na criminalidade que campeia em todos os pontos do País, em municípios grandes, médios e pequenos, agora chegando à zona rural.
Como informamos ontem, uma dona de casa de 30 anos foi estuprada e baleada durante um assalto. Tudo isso assistido pelo próprio marido, imobilizado e depois espancado barbaramente pelo trio de marginais, em um rancho às margens do Rio Grande. A mulher está internada em estado grave. Segundo a polícia, todos os envolvidos foram identificados, mas alguns deles ainda estão foragidos. O crime abalou não apenas a pequena Miguelópolis, mas também toda a região. É uma mostra de que ninguém está a salvo. Nem mesmo no recesso de seu lar.
O casal, surpreendido dentro de sua própria casa, já estava rendido, desarmado e sem chances de revidar ou se defender. Assusta reconhecer que a violência amplia seu leque de manifestação e não recua diante da intimidade das vítimas que escolhe. Perturbadoramente entranhada em nossa sociedade, atinge todos, indistintamente. E é também o reflexo de um código penal ultrapassado, um sistema legal lento e uma realidade prisional totalmente arcaica. Nada do que se faça em termos de segurança será capaz de resolver a questão, quando um criminoso não cumpre a sua pena.
A inexistência de leis mais duras e sentenças menos condescendentes transmite a estes marginais uma sensação de impunidade que os leva a agir de forma atroz contra inocentes que tentam apenas levar a sua vida da melhor forma possível. Os dispositivos legais precisam mudar para que sejam eliminadas brechas que permitem que bandidos, principalmente autores de crimes hediondos, se livrem da cadeia com apenas alguns anos de sentença, e voltem a delinquir e ameaçar gente de bem. Caso seja menor, passa pouco tempo “internado” e volta ao seio da sociedade como se não tivesse feito nada.
Não pode ser considerado “incapaz”, “inimputável” ou “inocente” quem agride, estupra e baleia, independentemente da idade. Um marginal desta categoria não pode ser considerado recuperável. Merece ser encarcerado e não ter qualquer benefício que permita a sua utópica “ressocialização”. Fatos recentes mostram que somente com a adoção de uma “tolerância zero” será possível mudar este estado de coisas. Leis mais duras, aliadas a um sistema carcerário adequado, são a única resposta para que a violência regrida e o brasileiro possa se sentir seguro dentro de sua própria casa. Do jeito que está é impossível. Com a palavra, nossas autoridades dos Três Poderes, que precisam agilizar as mudanças que a sociedade já reivindica com muita impaciência.
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