Um jovem PM lamentava a pouca consideração que os cidadãos têm para com as atividades da Polícia Militar. Dizia-me ele:
- Quando multamos um motorista por falta de cinto de segurança, por excesso de velocidade, por desrespeito às leis do trânsito é com o intuito de protegê-lo de acidentes.
Quando pedimos documentos para uma pessoa, quando prendemos um indivíduo ( e, às vezes temos de usar a força ) , quando reprimimos as manifestações violentas, o nosso objetivo é a proteção da sociedade. Porém, nem sempre o cidadão encara nossas operações como exclusivamente voltadas para o bem comum. Muitos, ao invés de nos aplaudir, difamam-nos.”
Para ilustrarmos a dura realidade dos lamentos do jovem PM, vamos recorrer ao anedotário popular. Contam que para testar a eficiência de algumas corporações policiais do mundo, soltaram um coelho numa mata fechada e mandaram os agentes procurá-lo. Os agentes do F.B.I. demoraram 45 minutos para encontrar o coelho. Os da SWAT, 30 minutos. Em 10 minutos, a polícia brasileira saiu do mato arrastando pelo rabo um gato todo ensangüentado que gritava:
- Chega! Chega!. Confesso que sou um coelho.Sou mesmo um coelho.
De fato, prezado leitor, concordo com as lamúrias do jovem PM. A polícia nacional não recebe o devido respeito e consideração por parte da sociedade brasileira. Não tem o charme da Scotland Yard, a inteligência do FBI, a eficiência da SWAT, as qualidades da Sureté. Nos filmes brasileiros, o herói é o bandido. Na literatura ( nos romances, contos e novelas nacionais ) não aparece sequer uma pálida e fugaz menção honrosa à nossa polícia. Ela aparece sempre como a “máquina repressora da classe dominante”.
E tem mais, prezado leitor: nesses tempos em que se relembra a “Redentora” , a polícia é vista mais ainda como representante do poder, da autoridade, da truculência, do desmando.
De todas as corporações militares só escapa o Corpo de Bombeiros que é respeitado, admirado e elogiado. Quanto aos outros policiais – que procuram salvar vidas, proteger o patrimônio, restabelecer a ordem pública – a situação é bem outra. Sou capaz de dizer, prezado leitor, que em nossos dias é mais confortável ser bandido do que policial. Pelo menos o bandido não precisa andar fardado.
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
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