Há quatro mil anos um escriba caldeu - talvez na Babilônia, atual Iraque - gravou a narração do Dilúvio numa tabuleta de argila. Utilizou caracteres cuneiformes. Por certo, narrou tradição fincada há séculos entre os caldeus, pagãos. O que não poderia imaginar é que sua tabuleta atravessaria séculos, até ser decifrada em Londres. O dr. Irving Finkel, curador no Departamento do Oriente Médio do British Museum e assiriologista (especialista na Assíria, Mesopotâmia antiga), manuseando a tabuleta, percebeu-a muito importante. Em 2009, traduzindo-a, percebeu que se tratava, com certeza, de narração parcial do Dilúvio, feita por um habitante da Assíria (atual Iraque).
A tabuleta disse que Deus alertou um homem, instruindo-o a construir navio onde deveria reunir sua família e dois animais de cada espécie, porque o mundo seria purificado por um dilúvio. Nas culturas de todos os continentes existem tradições alusivas a um dilúvio global. É como se todos os povos tivessem uma origem comum e, uma vez dispersos, levaram lembranças e tradições comuns que registraram mais tarde, como a preservar parte da história de cada um. Em 60 linhas, a tabuleta descreve a construção da arca em detalhes, a matéria-prima usada, formato, dimensões e o ingresso dos animais aos pares.Segundo o dr. Finkel, ‘A história do Dilúvio é extremamente antiga e deriva de uma inundação real que aconteceu antes da invenção da escrita, talvez milênios antes’. O Gênesis fala de época muito anterior à da tabuleta e precede outros relatos, reforçando a ideia de que esse livro sagrado contém a narração original, verdadeira, transmitida à posteridade por testemunhas. O único a conservar sem distorções a lembrança do Dilúvio foi o povo eleito. Os vizinhos mais próximos guardaram-na mais parecida com a narrativa do Gênesis. O trabalho do Dr. Finkel fornece prova arqueológica da historicidade do Dilúvio e autenticidade do relato bíblico.
Luís Dufaur
Escritor
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