José Teixeira, 62, é natural do Rio de Janeiro e há um ano está em Franca, vindo de Araxá (MG), em busca de emprego. Em razão da idade e de fazer uso de álcool, não alcançou seu objetivo e acabou nas ruas. Há quatro meses, porém, ele descobriu o Abrigo Provisório da cidade e passou a frequentar o local com regularidade. Um dos motivos da assiduidade é a presença dos irmãos franciscanos da Fraternidade Pobres de Jesus, pertencente à Diocese de Franca, que desde fevereiro assumiram a gestão do espaço.
Sob nova direção, não só José Teixeira, mas vários outros moradores em situação de rua passaram a procurar pelo abrigo, que em um mês dobrou o número de atendimentos. Segundo a coordenadora Elisângela Imaculada Barbosa de Oliveira, anteriormente o local oferecia 40 vagas que, com a chegada da nova gestão, foi ampliada para 60. Mas a demanda se mostrou maior. “Ainda no primeiro mês acabamos atendendo 80 pessoas, depois em março subiu para 110, muito acima da capacidade. Resolvemos, então, manter uma média de 90 a 95 atendimentos diários.” Até o começo de 2014, o abrigo era gerido pela Prefeitura de Franca, que continua responsável pelo repasse financeiro destinado à manutenção.
Para Elisângela, o que mudou foi a forma de acolher e lidar com os abrigados, mesmo com a permanência de regras para a boa convivência e ordem do imóvel.
O fundador da Fraternidade que há três anos está em Franca, padre Gilson Sobreiro, disse que a diferença está na “sensibilidade com os pobres e na criação de vínculos”. “Nós bebemos dessa experiência. Para nós, pobre não é número. Existe um carisma, um carinho, uma tolerância maior. Procuramos conhecer cada história, saber o nome das pessoas.”
Contribuiu também a favor desse aumento na procura pelo abrigo, o fato de o público-alvo já conhecer “os marronzinhos”, como eles são chamados no local, em razão do trabalho realizado nas ruas. Desde que se instalou na cidade, com casas masculina e feminina, os religiosos atuam na Pastoral de Rua.
“Eles vão ganhando confiança e esse lado afetivo é muito importante”, disse a irmã Maria do Socorro Colares, presidente da Casa de Acolhida Filhos Prediletos, entidade responsável pela gestão do abrigo.
De acordo com a coordenadora, fora as mudanças na forma de receber o público, houve alterações na rotina e organização do prédio. “Levamos mais dignidade, mas também melhoramos a alimentação, a limpeza, o uso de materiais e passamos também a investir na reeducação dessas pessoas, pois o nosso objetivo é retirá-los dessa situação”, explicou Elisângela.
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