Educação vilipendiada


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Notícias recentes, narrando ocorrências em escolas brasileiras, mostram um caminho bastante difícil para quem se dispõe a ensinar crianças e jovens neste País. Enquanto em Franca um estudante de 17 anos provoca baderna e cria tumulto ao soltar bombinhas de festas juninas dentro da sala de aula, em Ribeirão Preto, na semana passada, a agressão entre dois alunos do ensino fundamental envolveu até a professora, que foi atacada no momento em que pretendia resolver o conflito. São dois exemplos do que vem se repetindo em diversos estabelecimentos do ensino público no País, antecipando um futuro bastante nebuloso para a educação brasileira, que continua regredindo em índices de desempenho globais.
 
A questão é tão grave que nunca houve índices tão altos de afastamento de professores das salas de aula como os agora registrados. Mestres que escolheram a nobre missão de ensinar sentem-se reféns de alunos que buscam a escola apenas para “passar um tempo”. E o pior: os poucos que optam por estudar verdadeiramente como opção de crescimento intelectual e econômico, se vêem prejudicados no contexto onde a maioria não está a fim de aprender. A questão já foi muito abordada e traz no seu âmago não apenas a falta de incentivo aos professores, mas também um desinteresse assustador dos alunos. Se não forem criadas condições, dentro e fora dos muros escolares, dificilmente o ensino público brasileiro poderá melhorar e encontrar um rumo que permita a seus estudantes ascenderem às séries seguintes sem que haja lei obrigando o seu ingresso.
 
Enquanto estivermos vendo crianças e jovens saindo das bancadas escolares sem domínio da leitura, ou então não sendo capazes de interpretar um texto simples, dificilmente teremos uma escola pública digna de aplausos. A falta de cuidado e de amparo de nossos administradores e legisladores é um dos grandes entraves para que se busque uma virada radical na situação. Todos os entes envolvidos — autoridades, professores, funcionários, pais e alunos — precisam querer mudanças. Uma verdadeira cruzada por uma escola pública de qualidade é necessária. Do contrário, chegaremos ao fundo do poço sem grandes possibilidades de sairmos dele.
 
Enquanto os interessados não se sentirem motivados, com a delegação de responsabilidades e metas a cada um dos envolvidos, qualquer ação que se desenhar será inócua. Felizmente, mesmo diante deste panorama sombrio, o Brasil ainda conta com exemplos de escola pública que funciona. Estes precisam ser copiados e multiplicados. É primordial, antes, dar instrumentos aos professores para que recuperem a sua autoestima e o ânimo para ensinar. Eles não podem mais se tornar reféns de alunos sem foco no aprendizado. Aos pais, urge ressaltar a diferença entre escola e lar: a primeira ensina; ao segundo, cabe educar. E as leis precisam ser menos condescendentes com menores de idade. É da soma de muitas medidas que pode vir uma revolução na educação de crianças e jovens, o que há muito se busca e se exige no País. Do contrário, os índices continuarão desabando e prejudicando o futuro do nosso Brasil, pois legiões de analfabetos funcionais formam-se a cada ano, destinados a se frustrarem no mercado de trabalho para o qual não foram minimamente preparados.
 
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