Motorista de carro que matou 2 mulheres da São Vicente é solto


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Foto de arquivo mostra o Gol que era dirigido pelo sapateiro Luís Fernando Barbosa Silva, 28, no local do atropelamento
Foto de arquivo mostra o Gol que era dirigido pelo sapateiro Luís Fernando Barbosa Silva, 28, no local do atropelamento
A Polícia Civil concluiu as investigações sobre as causas do acidente que provocou a morte de duas mulheres na av. São Vicente, dia 20 de julho. O delegado Dalmo  Polo afirmou em seu relatório não haver dúvidas de que o sapateiro Luís Fernando Barbosa Silva, 28, assumiu o risco de matar ao sair dirigindo em alta velocidade após passar a noite e a madrugada bebendo. O policial afirma, ainda, que Silva pretendia fugir do local do acidente. Com base no apurado, ele foi indiciado por homicídio doloso. Apesar das graves acusações, responderá ao processo fora da cadeia. Na terça-feira, a Justiça deferiu pedido de liberdade provisória da defesa e mandou soltá-lo. 
 
O atropelamento provocou revolta. Aparecida das Graças Ribeiro, 62, e Roselane Henrique Rafael, 34, eram vizinhas e tinham o hábito de caminharem juntas. Naquele domingo, às 7h30, passavam perto do Clube dos Servidores Municipais quando foram atingidas na calçada por um Gol. Aparecida morreu na hora. Roselane duas horas depois.
 
Policiais afirmaram que encontraram o motorista cambaleando ao lado do veículo com forte cheiro de álcool, olhos vermelhos e aparentando ter bebido muito. No interior do carro foram localizadas quatro garrafas e uma lata de cerveja, todas vazias. Silva admitiu ter bebido, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro. Como não pagou a fiança de R$ 5 mil, foi levado para o CDP (Centro de Detenção Provisória), onde ficou até anteontem. 
 
Enquanto isso, os policiais do 4º DP trabalharam em busca de provas e testemunhas. Os depoimentos e materiais juntados ao inquérito não deixaram dúvidas na polícia em relação à culpa do motorista. Segundo a polícia, o sapateiro teria começado a beber por volta das 16 horas do dia anterior, em um churrasco na casa de um amigo, onde ficaram até por volta da meia-noite. Depois seguiram para a festa House Winter, mas não conseguiram entrar e resolveram dar um “rolê”. Às 3h22, Luiz e o amigo entraram na loja de conveniência de um posto de gasolina da Major Nicácio. “As imagens mostram os dois comprando duas vodcas e energético, o que foi comprovado pelo ticket que anexamos ao processo. Estavam com copos nas mãos ingerindo algo, certamente bebida alcoólica”, disse Dalmo. As sacolas com as garrafas vazias foram encontradas perto do carro após o acidente.
 
O dia já havia amanhecido, quando o sapateiro foi levar uma amiga para casa. Depois de passar por uma lombada na av. São Vicente, perdeu o controle e atropelou as duas mulheres. “Além do grave acidente, chamou a atenção o fato de o motorista tirar o pneu de estepe e pegar a chave de roda para trocar o pneu que havia estourado, tentando evadir-se do local, o que não conseguiu.” Diante das provas reunidas, o delegado indiciou Silva por homicídio doloso. “Ele assumiu o risco de provocar a morte das duas mulheres. Bebeu a noite inteira e saiu em alta velocidade com o veículo em uma avenida de movimento. Ele tem que ser responsabilizado por sua atitude. Não podemos ficar de braços cruzados vendo pessoas beberem e saírem matando inocentes. Precisamos adotar posturas mais sérias”, disse Dalmo.
 
Em função de pedido feito pelo Ministério Público, que requisitou a juntada dos laudos faltantes para formação de sua convicção, a Justiça concedeu a liberdade provisória ao acusado por entender que sua custódia não mais se justifica. O promotor Odilon Comodaro aguarda o resultado dos laudos para decidir se mantém o entendimento da polícia e se faz a denúncia por homicídio doloso. 

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