Morreu ontem, quarta-feira, aos 69 anos, o respeitado técnico em construções francano João Marcos Rodrigues da Silva, o Alemão, dono de invejável currículo de participação em obras referenciais pelo Brasil e em Franca, também conhecido personagem da política local. No sábado, após ter passeado com a família no Franca Shopping, foi ao encontro de amigos no Palmeirinhas, tradição de muitos anos. Lá, em determinado momento, como disseram os que com ele estavam, “puxou um cochilo”. Tinha sofrido outro AVC (Acidente Vascular Cerebral), o segundo em onze meses. Socorrido pelo resgate do Corpo de Bombeiros, foi levado ao Hospital Regional. Entrou em coma. Quadro irreversível, segundo médicos informaram à família, morreu às 13 horas de ontem. Há cinco anos, ele havia sofrido um infarto, e era diabético.
Deixou viúva, depois de 45 anos de casamento, Vilma Magali Oliveira. Do enlace, o casal teve quatro filhos (Marcelo, casado com Marta; Alessandra; Fernando, casado com Luciana; e Juliana) e cinco netos (Guilherme, Gabriel, João Vitor, Felipe e João Pedro).
João foi um cidadão de incansável dedicação à profissão. Formado técnico em construções, foi trabalhar no erguimento da Usina Mascarenhas de Morais (Peixoto), de Furnas. Não parou mais. Contratado pela Odebrecht e, mais tarde, pela Camargo Corrêa, construiu invejável currículo de grandes obras - o metrô de São Paulo nos anos 60/70, a concretagem de proteção do reator nuclear de Angra I e a construção da barragem da usina de Tucuruí, no Pará. Segundo o filho Fernando, “foi um período de grandes sacrifícios, família seguindo junto aos lugares onde meu pai trabalhava, mas íamos honrados em estar com ele e testemunhar suas vitórias.”
A família voltou a Franca no final de 1982. Amigo do, à época, radialista e vereador Sidnei Rocha, João recebeu dele convite para integrar a coordenação de sua campanha a prefeito municipal. João aceitou. Sidnei eleito, foi trabalhar na Secretaria de Obras e Serviços e, “como a um trator” - como disse Reginaldo Emídio, seu companheiro de gestão municipal na época, gerenciou a destinação dos resíduos sólidos e aterro sanitário do município, integrou a comissão que instalou o programa ‘Vaca Mecânica’ (de produção de leite de soja para a merenda escolar), foi determinante na erradicação de um processo de favelização que começava a surgir na região da caixa d’água da Santa Cruz (a prefeitura da época conseguiu um terreno nas imediações de Miramontes e, com participação decisiva de João Marcos, preparou os favelados a fazerem tijolos e erguerem suas próprias casas). Depois, em projeto conjunto com a Sabesp, João, pela administração pública participou dos “Mutirões para o Esgoto”, tubulações instaladas pela própria população. Fernando, seu filho, à época com oito anos, lembra-se “da capacidade do pai em convencer as pessoas a participar dos mutirões, também isso, herança relevante que nos deixou”.
Após a era Sidnei Rocha, João tornou-se consultor da Colifran, empresa de coleta de lixo de Franca, antes de voltar a Tucuruí, contratado chefe de manutenção da represa, desta vez, sem a família. Em 2004, Fernando soube que Sidnei compunha equipe para novamente tentar a Prefeitura. Deixou o trabalho e foi até o político. Recebido, disse sem pensar duas vezes “por favor, traga meu pai de volta a Franca”. O candidato, segundo Fernando, foi rápido: “mande seu pai descer e vir rápido, participar da coordenação da campanha”. João voltou.
Exercitou, nos últimos anos, a presidência da Emdef, da Prohab e do diretório municipal do PP (Partido Progressista). Estava, até a sexta-feira antes do AVC, coordenando os trabalhos da Central da Habitação, que, sucedendo a Prohab, está recebendo inscrições para casas populares do programa Minha Casa Minha Vida, que o governo federal vem construindo em Franca.
Dono de grande e respeitoso círculo de amizades, Alemão foi definido pelo filho como um cidadão “fiel às pessoas, honrado, exemplar para os filhos, dedicado à família, que pensava mais nos outros que em si, e que falava o que pensava, fosse qual fosse a ocasião”. O município declarou luto oficial de três dias, em função de sua morte. O corpo está sendo velado na Câmara Municipal e prosseguirá até o sepultamento, hoje, às 16 horas. no Cemitério da Saudade, com serviços da Funerária Santa Bárbara.
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