O quarto decorado, as pelúcias e os brinquedos ainda esperam pela volta de Davi Miguel. O bebê, que nasceu em 12 de março deste ano, passou em casa apenas os cinco primeiros dias de vida e já há cinco meses está internado no Hospital Regional. Filho dos sapateiros Jesimar e Dinea Gama, o pequeno foi diagnosticado com uma doença rara no intestino, que impede o alimento de ser processado por seu organismo. “Para salvar a vida do nosso filho, não há tratamento, somente um transplante de intestino, realizado nos Estados Unidos”, disse Jesimar.
“Meu filho chegou em casa com 3,2 quilos, mas foi perdendo peso. No quinto dia, quando voltamos com ele para o hospital, ele já estava com 2,8 quilos. Foi internado e no outro dia já foi encaminhado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, relembrou o pai. Em junho deste ano - após bateria de exames que durou 43 dias, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - veio o diagnóstico: doença de inclusão das microvilosidades.
De acordo com as explicações clínicas passadas aos pais, trata-se de uma deficiência do intestino, que não absorve os alimentos. “É como se ele acabasse de comer e já evacuasse.” Por este fato, a alimentação de Davi vem sendo realizada de forma intravenosa, mas há consequências. “Para ele não há outro tipo de alimentação que não a parenteral. O problema é que o fígado não aguenta isso por muito tempo e meu filho pode ter uma insuficiência hepática e morrer. É uma corrida contra o tempo”, disse o pai, engasgado.
Semelhante ao caso da pequena Sofia, que ganhou repercussão nacional há cerca de dois meses, a família do bebê francano começa uma luta para conseguir um transplante de intestino, nos Estados Unidos. Como os caminhos e valores para que isso ocorra ainda não estão muito claros para os pais - que há pouco mais de um mês souberam o diagnóstico do filho - Miguel Navarro, advogado de Sofia, serviu como referência para um ponto de partida. “Por serem casos parecidos, entramos em contato com o advogado Miguel Navarro. Ele foi atencioso. Disse para procurarmos um advogado daqui e, depois, enviou ao nosso advogado, Acir Matos, o processo da Sofia para ajudar com o de Davi”, disse Jesimar. Assim como aconteceu com a menina de Sorocaba, a esperança da família é que o Estado custeie a ida e tratamento de Davi ao exterior. “Estamos desesperados. Procuramos a Justiça porque, antes de tudo, precisamos que o Davi seja aceito nos Estados Unidos.”
Rotina
Com o fim o fim de sua licença maternidade, Dinea não retornou ao trabalho. Todos os dias, ela se encaminha ao Hospital Regional para passar a tarde ao lado de Davi. Casada há 18 anos, e com um filho de 15, por 13 anos tentou uma segunda gravidez. “Já havia desistido, porque estou com 40 anos. Achei que não fosse a vontade de Deus, porque mesmo não havendo impossibilidade de engravidar e até mesmo tomando remédios para estimular uma gravidez, não conseguia ter outro bebê. O Davi é uma benção. Fora o problema no intestino, é perfeito. Quando ele está bem, posso passear com ele no jardim do hospital e ele sorri. Em casa, estou mudando a minha cama do quarto do Davi para o meu próprio, porque vai que... um dia ele vem”, disse Dinea, antes de ser interrompida pelas lágrimas.
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