‘Não é porque não estou em Franca que estou deixando de atuar’


| Tempo de leitura: 4 min
Marco Aurélio Ubiali tenta, nas eleições de outubro, o terceiro mandato como deputado federal
Marco Aurélio Ubiali tenta, nas eleições de outubro, o terceiro mandato como deputado federal
Envie aqui pergunta ao candidato 

Qualquer interessado que pesquisar o perfil pessoal, profissional e político do deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB) encontrará muitas informações a seu respeito. Em seu site, o parlamentar enumera as conquistas como médico, as eleições das quais participou - embora não cite a de 2010, quando ficou como suplente, e as duas para a Prefeitura de Franca - e mostra as frentes nas quais atua dentro do Congresso.
 
O que Ubiali não citou também dá uma lista grande. O deputado tem uma disposição incomum para se envolver em polêmicas, algumas inofensivas, enquanto caricatas, outras nem tanto, como quando votou a favor da manutenção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), o famoso “imposto do cheque”. “Naquela época (2007) fazia sentido, porque o valor que era cobrado era ínfimo. Hoje eu não votaria mais a favor.”
 
Conhecido por sua atuação muito próxima às Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), entidade da qual foi presidente da Federação Paulista e tesoureiro nacional, Ubiali roda o Estado de São Paulo atrás de votos. De sua disposição, contudo, não surtiu o resultado que ele esperava em 2010, quando obteve 63.255 votos, praticamente 21 mil a menos que a quantidade alcançada quatro anos antes, em 2006, também na disputa para federal. Com votos suficientes para deixá-lo como primeiro suplente do PSB, poucos dias depois Ubiali assumiu a cadeira no lugar de Márcio França, nomeado secretário de Turismo do Estado de São Paulo. 
 
Com mais quatro concorrentes disputando o eleitorado voto a voto, Doutor Ubiali não se mostrou muito confiante em uma reeleição, pelo menos não com facilidade. Disse que o último pleito já foi um grande susto, mas que, independente do resultado, tem trabalhado para atender aos interesses de Franca e região. Nesse ponto, contestou o ponto de vista de parte do eleitorado e demais candidatos, de que é um deputado ausente dos problemas locais e regionais. “Tenho compromissos em diversos municípios do Estado e não é porque não estou em Franca que estou deixando de atuar pela cidade”, disse.
 
Em 2012, após ficar fora do segundo turno para prefeito em Franca, Ubiali, que obteve 26 mil votos, declarou seu apoio total ao então candidato Alexandre Ferreira (PSDB). As juras de amor, no entanto, duraram pouco tempo. Ainda no ano passado, os dois romperam. A explicação de Ubiali está na recusa de Ferreira em destinar uma área pública municipal para que fosse instalada uma faculdade técnica na cidade. “Não entendi a postura dele (prefeito). Um dirigente que perde uma oportunidade dessas e não dá nenhuma satisfação não pode estar comprometido com a cidade.”
 
Ao emendar um tema no outro, e já respondendo à pergunta sobre o motivo de sua ausência na abertura da Francal 2014, quando estava cumprindo compromissos de sua agenda, Ubiali disse que a desoneração de parte dos impostos incidentes sobre a principal indústria francana, votação da qual ele participou três anos atrás, deve ser permanente como forma de estimular a produção calçadista. Mas defendeu que o ideal seria trazer outros setores da economia, voltados para a tecnologia, acompanhados de escolas técnicas e universidades que pudessem gerar mão de obra capacitada. Entretanto, não disse se mantém projetos neste sentido.
 
Em 29 de abril deste ano, o deputado protagonizou uma cena no mínimo inusitada no plenário da Câmara. Ao descascar e comer uma banana em ato solidário ao jogador brasileiro Daniel Alves, do Barcelona, que havia sido hostilizado durante uma partida na Europa, Ubiali disse que queria apenas usar o ato para protestar contra o racismo, e que o fez de forma consciente.
 
Na produção legislativa, é de sua autoria, por exemplo, o projeto de lei que pretende, se aprovado, definir com quem ficará o animal de estimação no caso de separação do casal. O PL está tramitando na Câmara desde 2011. 
 
Mas nada mais polêmico que o livro lançado com sua assinatura e escrito pelo marqueteiro Sérgio Trombeli, financiado com recursos do fundo partidário, ou seja, do contribuinte. A obra, Marketing Político - administrando o gabinete, traz passagens que mostram como o interesse dos investidores - leia-se “doadores” - da campanha deve ser preservado e como o gabinete político deve ser gerenciado. Além disso, Ubiali dá dicas para neopolíticos de como tirar o máximo proveito da mídia e até como “dobrar” a imprensa. Para o deputado, o entrevistado deve falar o que acha melhor e não o que o entrevistador perguntou. Fazer elogios ao jornalista e dar presentes, podem, em sua opinião, ajudar na condução da entrevista.
 
Com uma tranquilidade franciscana, disse que não fez nada demais e que apenas deu forma ao “teatro” que é a política em Brasília. “Não me arrependo do livro. O que está lá é que o se pratica todos os dias. Eu apenas estou contando por escrito”, disse Ubiali.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários