Os bons ventos no comércio internacional sopraram para o Brasil até 2008 mas, com a crise americana que se espalhou pelo mundo associada a problemas europeus, a economia mundial sofreu forte abalo. Em 2009 surgiu um ponto de inflexão na curva dos negócios internacionais.
Nos últimos dez anos, saímos de um volume exportado de US$ 73,3 bi e chegamos a US$ 242,2 bi em 2013 (redução de 1,0% em relação a 2012), mesmo com os encargos do custo Brasil. Apenas aparentemente os números são grandiosos, pois, a participação brasileira no comércio mundial não passa, historicamente, de 1,3%. Dados da SECEX (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que as vendas brasileiras ao exterior vêm sofrendo o impacto da diminuição da demanda de matérias primas da China. Em 2014, a balança comercial está deficitária.
Afora questões relacionadas com proteção aduaneira, tarifas, tratados reunindo países em pactos regionais ou intercontinentais, ou em outras formas de união e cooperação, há correlação positiva entre comércio exterior e desenvolvimento.
Nas relações econômicas internacionais a atuação do Brasil está vinculada à capacidade do país de promover inovações, aumentar a produtividade e atuar num regime de competitividade. Se na agroindústria e na prospecção de petróleo em águas profundas somos considerados ‘campeões’, em tecnologia, produção e gestão o país não registra aporte digno de apreciação. O fraco desempenho nos negócios internacionais reflete o baixo aproveitamento das oportunidades que o comércio exterior pode proporcionar ao país para se desenvolver. O PIB mundial, segundo o FMI, a OMC e a OCDE deverá apresentar. nos próximos ano, recuperação próxima dos 4%, que repercutirá, necessariamente, no comércio entre as nações. O Brasil não pode perder espaço nessa conjuntura.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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