Vivendo um fenômeno novo, o da primeira eleição a presidente e governador onde redes sociais são, realmente, relevantes. As coordenações de campanha já perceberam isso. Já se verifica, inclusive, ‘tiroteio’ entre partidários dos diferentes candidatos num território que ainda não dispõe de regras e, pelo menos teoricamente, deve obedecer a legislação vigente dos outros meios de comunicação. Por suas peculiaridades e grande diferença em relação às mídias tradicionais, a web deixa brechas que, bem exploradas, tendem a tornar diferente esse período eleitoral. Difícil prever, no entanto, se a diferença será para melhor ou para pior.
O Brasil democrático ainda não encontrou meios para regular campanhas e, principalmente, a propaganda eleitoral. Ainda ecoam as campanhas populistas do período 1946-64, onde pontificaram Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Carlos Lacerda, Juscelino Kubstichek e outros. A história também registra a retórica populista de Getúlio Vargas. Lembra, igualmente, dos governos militares onde as eleições foram mantidas, muitos políticos cassados e a propaganda restrita, fase onde o desprestígio da classe foi tão grande que se chegou ao absurdo de indivíduos que exerciam funções meramente políticas declararem ‘eu não sou político’. Na redemocratização tentou-se evitar o populismo desenfreado de antes e criar mecanismos para impedir o abuso do poder econômico e outros fatores que desequilibram campanhas, mas, até agora, não se encontrou a fórmula adequada. Campanhas ainda pecam ao não promover o desejado encontro entre o candidato e o eleitorado. A inclusão proporcionada pelas redes sociais e demais recursos da internet é algo que se estudar. Pode estar aí o grande elo candidato-eleitor. Não devemos nos esquecer que a internet está ‘à mão’, como se diz por ai, expressada nos milhares de smartphones, tablets, celulares e assemelhados.
O que as candidaturas precisam encontrar é a mensagem certa, capaz de aproximar de si os eleitores. Essa ‘pedra-de-toque’, pode, sim, desequilibrar qualquer tendência.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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