O Comércio já deixou clara a indignação que toma conta do eleitor — e contribuinte — brasileiro, cada vez mais avesso a políticos que, aproveitando-se da posição conseguida nas urnas, e munidos de enorme cara de pau, pautam a sua atuação por atos que, verdadeiramente, não podem mais ser aceitos na política atual. Os brasileiros, há mais de um ano, foram às ruas contra este estado de coisas. O político brasileiro — não em sua totalidade, mas a grande maioria — confunde o público com o privado e, ao contrário de épocas passadas, já não engana mais ninguém. O eleitor não é bobo e começa a pensar duas vezes antes de confirmar seu voto.
Há muitos de nossos representantes eleitos que imaginam que a investidura do cargo lhes permite tudo. Porém, esquecem-se de que receberam apenas uma autorização temporária para representar seus eleitores. E que ela pode ser cassada nas eleições seguintes. Esta é a grande arma que o brasileiro tem, hoje, para depurar a sua representação política, que vem sendo usada sem pejo ou vergonha.
Além dos malfeitos que emanam de Brasília, em Franca esta prática odiosa encontra abrigo na Câmara Municipal, onde existe uma comissão de ética capaz de penalizar a vereadora Valéria Marson (PSDB) por causa de uma denúncia anônima, mas não é capaz de fazer o mesmo com Laércio Matias (PP), o Laercinho, filmado e gravado tentando usar o “jeitinho brasileiro” (inclusive oferecendo bens e vantagens) para que um sitiante aceitasse ter sua terra invadida por uma estrada municipal.
O fato, noticiado pelos veículos de comunicação do GCN (Comércio, Difusora e Portal), repercutido pelos órgãos da região e até em nível nacional, quando examinado pelo Conselho de Ética do legislativo municipal, teve um (triste) desfecho ontem, com o arquivamento do processo. Os três integrantes do CE da Câmara — vereadores Josivaldo Bahia (PTB), Marco Garcia (PPS) e Donizete da Farmácia (PSDB) — consideraram que Laercinho não feriu o decoro, nem mesmo por oferecer, junto a vaca e dinheiro, mudas de eucalipto da Prefeitura Municipal para que o sitiante não criasse problemas. O fato foi considerado “normal” pelos vereadores da tal comissão, para a indignação dos francanos que tiveram oportunidade de se manifestar, expondo a sua desaprovação.
Ontem, durante o programa Hora da Verdade, da Difusora, Bahia e Garcia não conseguiram explicar a decisão. Se para eles uma situação ilegal e imoral não é motivo de única censura que seja, não se sabe o que poderá ser. A Comissão colocou o legislativo de Franca, mais uma vez, de joelhos diante de um fato vergonhoso e que merecia, sim, uma punição. Compactuou com a imoralidade, mandando a ética às favas. Mas o eleitor francano, com certeza, já se encontra ‘vacinado’ em situações como esta. Por isso, certamente não deverá, em pleitos futuros, eleger quem está achando o povo com cara de palhaço. Que a resposta lhes seja dada nas urnas, numa clara demonstração de que não se pode mais admitir políticos desta estirpe.
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