Vereador ameaça agredir empresário em plena na sessão da Câmara


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O empresário Hélio Vissotto (de cinza) e Donizete da Farmácia (de branco), com seus seguranças
O empresário Hélio Vissotto (de cinza) e Donizete da Farmácia (de branco), com seus seguranças
A sessão dessa terça-feira na Câmara Municipal tinha tudo para ser tranquila. Mas não foi o que se viu. O relatório apresentado pela Comissão de Ética, inocentando o vereador Miguel Laércio Mathias (PP), o Laercinho, das acusações de falta de decoro, foi o estopim de uma confusão que dominou os trabalhos no Legislativo na tarde de ontem e, por muito pouco, não terminou em agressão física de um vereador contra um empresário que acompanhava as votações. 
 
Tudo começou quando, logo no reinício dos trabalhos, Marco Garcia (PPS), um dos membros da Comissão e líder do governo na Câmara, decidiu usar a tribuna para defender a aprovação de um projeto do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) pedindo autorização para venda de terrenos da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). 
 
Ao descer da tribuna, Marco foi questionado de forma agressiva pelo empresário Hélio Pinheiro Vissotto. Das cadeiras, Vissotto perguntou a Marco sobre o resultado do processo contra Laercinho. “O senhor falou agora. Mas eu tenho uma pergunta para fazer: cadê a sua ética?” Foi neste momento que Donizete da Farmácia (PSDB), que estava por perto, também acabou questionado. “E isso serve para você também”, disse o empresário apontando o dedo para o tucano, que também faz parte da comissão.
 
Ao contrário de Marco Garcia, que ignorou a provocação e se sentou, Donizete, bastante irritado, resolveu tomar satisfação. Subiu as escadas para as cadeiras e, com o dedo em riste, ameaçou o empresário. “Acho melhor você calar a boca. Vai tomar no seu... Eu não vou resolver meu problema com você agora não. Vou resolver lá fora. Vou te pegar a hora que acabar a sessão”, disse em voz alta.
 
Ao sair, Donizete usou o celular, do plenário, para chamar amigos para defendê-lo. Ao ver o vereador ao telefone, Hélio provocou. “O senhor não pode ficar no celular aqui não. É proibido. Não está vendo as placas de advertência? Quem o autorizou a usar o celular?” Donizete, já muito irritado, respondeu: “Foi sua mãe”.
 
Minutos depois do telefonema, três homens conhecidos de Donizete chegaram ao plenário. Uma nova discussão aconteceu quando Vissotto decidiu ir ao banheiro. Os três homens, Donizete e seu assessor o cercaram. A troca de acusações começou e só não partiram para as vias de fato, porque perceberam a presença da imprensa. 
 
Enquanto a discussão acontecia na sala de entrada do plenário, o restante dos vereadores e funcionários da Câmara tentavam entender o que estava ocorrendo. Apesar da apreensão, os trabalhos não foram suspensos pelo presidente em exercício Josivaldo Bahia (PTB). Em nenhum momento, foi requisitada a segurança. 
 
Depois os ânimos se acalmaram. Os três homens foram embora. Vissotto assistiu à sessão sentado, sem se pronunciar. Ele não quis gravar entrevista. Disse apenas estar indignado com a postura do vereador. “Eu apenas exerci meu papel de cidadão, que é o de cobrar os vereadores. Ele me ameaçou, disse que iria me pegar. Mas eu não tenho medo dele nem dos capangas dele.” O empresário não disse se pretende tomar alguma medida contra Donizete.
 
Em entrevista, o vereador disse que só agiu desta forma porque se sentiu desacatado pelo empresário. “Eu não aceito isso, porque eu procuro levar a minha vida da forma mais limpa que eu posso. Agora, uma pessoa vir aqui e ficar querendo me rebaixar, me humilhar, isso eu não aceito. Se eu aceitar, amanhã ele vai estar aqui me perturbando de novo. Eu mereço ser respeitado. Se não me respeitar, vai ter de me enfrentar mesmo.”
 
Sobre as ameaças de agressão, Donizete disse que, antes, o empresário já o havia ameaçado. “Ele começou a me provocar. Eu disse que se ele quisesse resolver nosso problema lá fora, a gente resolvia. Eu não tenho medo dele. Eu apenas respondi.”
 
O vereador ainda disse que não se excedeu e admitiu ter solicitado a presença de seguranças particulares. “É lógico que liguei. A gente aqui fica sentado de costas para o público. Eu preciso me proteger.” Donizete disse ainda que não foi a primeira vez que o empresário o provocou. “Ele é um cara problemático. Já provocou todo mundo aqui dentro. Só que eu não vou aguentar isso. Eu venho aqui fazer meu trabalho. Me humilhar, ele não vai. Se ele partir para ignorância, eu também parto.”

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