Crack em xeque nas cidades


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De cada dez adolescentes internados para combater o vício do crack, em média nove voltam a usar a droga até três meses depois de receber alta, segundo aponta levantamento da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) divulgado esta semana em Brasília pela CMN (Confederação Nacional de Municípios). O investimento do governo para reforçar a rede de atendimento aos usuários de drogas tem sido insuficiente, de acordo com o estudo. Dentre os dados apresentados, chamou a atenção das lideranças municipalistas o alto índice de recaídas e reinternações no sistema público de saúde devido a este tipo de droga. 
 
Metade dos jovens dependentes recaiu até 10 dias após a alta e 34% precisou retomar o tratamento na rede pública. Entre o grupo de adultos, 43,4% tiveram de se reinternar até cinco vezes ao longo de três anos. Além disso, a pesquisa demonstra que um terço dos usuários de drogas se envolve com a prática de crimes durante o período de três meses. “Quando o usuário sai do hospital, muitas vezes não tem onde morar, volta para a boca de fumo, não tem trabalho ou um aparato psicossocial para ajudá-lo na abstinência. Isso ainda é precário no Brasil”, diz a psicóloga e doutora em ciências médicas Rosemeri Siqueira Pedroso. 
 
As conclusões, longe de representar a ineficácia dos investimentos públicos na prevenção dos efeitos perversos das drogas, são um pedido de socorro para que as nossas cidades promovam meios mais eficazes de prevenção, abordagem dos casos, tratamento e acompanhamento. O fenômeno é global, mas a ação é local.
 
Incentivo às cidades: O programa Preserva São Paulo, aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo em julho, prevê incentivos técnicos e financeiros aos municípios que venham a gerenciar projetos de manutenção, preservação, revitalização e conservação do patrimônio material e imaterial. Na prática, o projeto se refere à revitalização de pontos de interesse que se encontram abandonados de modo a atrair visitantes, impulsionando o turismo no Estado e preservando sua história e cultura, além de permitir à população a redescoberta dos valores locais. O projeto aguarda a sanção do governador para ser implementado. A lei considera pontos de interesse o patrimônio cultural material obras ou grupos de construções arquitetônicas, esculturas ou pinturas, objetos ou estruturas arqueológicas, inscrições, grutas e conjuntos de relevância do ponto de vista da história, da arte ou da ciência. Também se incluem obras do homem ou conjugadas com a natureza, bem como sítios arqueológicos de relevância do ponto de vista histórico, estético, etnológico ou antropológico. 
 
Resíduos sólidos: A Medida Provisória 649/2014 poderá prorrogar o prazo para os municípios implementarem a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010). O prazo para o fechamento de lixões a céu aberto poderá ser estendido por mais oito anos segundo uma das emendas. Oficialmente, o prazo previsto na lei terminou sábado último, 2 de agosto. Dos municípios brasileiros com até 300 mil habitantes que não destinam o lixo para aterros sanitários, 61,7% não conseguiriam cumprir a meta. A lei também determina a construção do Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos (PGIRS). Entre os municípios pesquisados, 51,6% (1.280) afirmaram possuir o PGIRS e 45,7% (1.132) disseram não contar com o planejamento.
 
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br

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