Não se podem entender, pelo menos para quem se acostumou a acompanhar o bom trabalho da Polícia Militar junto a escolas com o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas), as ações da Prefeitura de Franca no enfrentamento às drogas, principalmente o crack, que já se tornou um caso de saúde pública, com graves reflexos em outras áreas, como a criminalidade e diversos problemas sociais. Até agora, as ações governamentais não conseguiram qualquer avanço, pois faltam políticas públicas efetivas que, além de atacar a raiz do mal, busquem prevenir.
O Proerd, que fazia um trabalho bastante eficaz ao abordar o perigo das drogas junto a estudantes da rede oficial de ensino, notadamente nos primeiros anos de escolarização (ensino fundamental), acabou sendo excluído — inexplicavelmente — pela Prefeitura. Ele foi banido literalmente das escolas onde representava uma iniciativa elogiada por professores, pais e pelos próprios alunos. Havia um jeito especial de falar sobre o tema, de maneira a tornar explícitos os graves riscos que incidiam sobre aqueles que se sentissem tentados ao uso. Com o exercício do diálogo, as crianças eram ouvidas e podiam falar sobre medos, temores e até possíveis aliciamentos.
Em diversos municípios do País, o Proerd prossegue sua missão de esclarecer milhares de estudantes sobre os perigos do vício. Em Franca, há mais de um ano o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) resolveu encerrar a parceria com a Polícia Militar. Com isso, ficou um hiato que no momento o Executivo municipal pretende preencher anunciando um programa federal, o “Crack, É Possível Vencer” que ainda recebe uma série de críticas Brasil afora por causa de suas propostas. Até agora, o programa federal não mostrou exatamente a que veio. Embora seja anunciado como um trabalho coordenado com as Polícias Militar, Civil, Rodoviária, Bombeiros e Guarda Civil, não se tem uma imagem muito explícita de como se comportarão os agentes nele envolvidos. O “Crack, É Possível Vencer”, embora apresente ferramentas de repressão, por enquanto não pode ser considerado a arma que irá reverter a situação dos viciados em drogas. O vício tem dimensões gigantescas e permanece fazendo vítimas nas grandes, médias e pequenas cidades do País. Fomenta a criminalidade e cria outros fatos deprimentes como a prostituição, o abandono da família e a mendicância. Há necessidade da mão do Estado nessa questão social difícil. Mas, pelo que se tem de visibilidade, onde o programa foi implantado até agora não houve mostras de que esteja conseguindo reverter o avanço das drogas.
O novo projeto poderia estar aliado ao Proerd, encurtando a distância na formação de agentes públicos que atuariam junto aos estudantes. Por outro lado, a falta de contenção e tratamento de viciados (e só os Caps, que oferecem atendimento aos dependentes químicos, não são capazes de reverter o vício) não será compensada com veículos que identifiquem os usuários ou com armas de choque destinadas a coibir adictos. Reverter a situação é urgente e ninguém em seu juízo perfeito ousaria argumentar em contrário. Todas as iniciativas somadas têm parecido inúteis no combate a este mal e, assim, excluir qualquer uma delas sempre parecerá insensato. Foi o caso da banição do Proerd, até hoje sem explicação racional. Ele era de grande valia para a comunidade escolar, fato atestado por educadores e pais que apostavam na prevenção como melhor medida educativa.
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