‘Ficamos sem representatividade por um comportamento provinciano’


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Cristiano Eurípedes Soares da Silva, o Crico, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados
Cristiano Eurípedes Soares da Silva, o Crico, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados
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O candidato a deputado federal Cristiano Eurípedes Soares da Silva, o Crico, é um caso único entre os concorrentes por Franca. Com cinco eleições no currículo, trocou de partido cinco vezes desde 1996, quando tentou, pela primeira vez, uma vaga de vereador. Naquele ano, pelo PSDC, obteve 641 votos. Depois, vieram PMDB, PV, PSDB e, por último, o PHS, legenda pela qual concorre atualmente.
 
No PSDB, Crico ficou enquanto ocupou um cargo comissionado na Secretaria Estadual de Recursos Hídricos. Exonerado, entrou no PHS, um partido nanico que em 2010 elegeu dois deputados federais e sete estaduais, quase todos no Nordeste, à exceção de dois mineiros.
 
O Partido Humanista da Solidariedade abriga dissidentes do PV. A despeito do tamanho e da pouca representatividade, Crico acredita que poderá eleger fácil um parlamentar federal no Estado de São Paulo com escore começando em 20 mil votos. “O partido é pequeno? Sim, é pequeno. Mas está muito melhor organizado do que foi em 2010. Estou bastante confiante na minha eleição.”
 
Ressabiado com a imprensa, foi o único dos candidatos entrevistados a gravar, ele mesmo, a conversa com a reportagem. Tudo para se resguardar do que chamou de “erro” do Comércio que publicou, por equívoco, em uma edição pré-eleição de 2008 o número do candidato errado. O “erro”, aliás, não alterou em nada a votação de Crico quando comparados os números das urnas e os das pesquisas de intenção de voto divulgadas no período. Embora sua participação política por Franca já tenha chegado aos 18 anos, sua votação mais expressiva foi em 2008, quando tentou a Prefeitura, ficando com 7.135 votos.
 
Produtor de alimentos orgânicos em um sítio da família, entre Franca e Claraval (MG), Crico é solteiro e mora com dois irmãos. Formado em comunicação social e com uma graduação em direito trancada no meio, o candidato tem posições definidas sobre o que pretende trabalhar, caso eleito.
 
De acordo com ele, na decisão de sair candidato a federal pesou conhecer as demandas que Franca e região apresentam e que foram conhecidas de perto quando esteve, por dois anos, representando a Secretaria de Recursos Hídricos paulista. “No trabalho da secretaria, eu tive a oportunidade de conhecer os prefeitos, identificar as necessidades que os prefeitos têm.”
 
Numa análise de seu histórico de candidato, Crico disse que precisou deixar o discurso partidário e partir para a ação, o que pode ser comprovado, segundo ele, por sua atuação nos dois anos em que esteve vinculado à Secretaria de Recursos Hídricos, quando orientou prefeitos e gestores em projetos ambientais e busca de recursos públicos.
 
Para ele, é preciso viabilizar a criação de cinturões verdes no entorno dos centros urbanos, para que o fornecimento de alimentos mais saudáveis, além da contribuição para a saúde da população e a fixação do homem no campo com geração de renda, não esbarre nos custos de transporte.
 
Na questão da segurança pública, tocou em assuntos que os outros candidatos também já abordaram, como a necessidade de investir na educação. “Eu venho de origem pobre, e nós mudamos a história da nossa família pela educação. Meu avô apanhava por querer estudar”, disse. “Se fosse investido mais em escolas, não seria necessário construir tantos presídios.”
 
Em relação à saúde, estabeleceu uma ligação direta com o meio ambiente ao falar do assunto. Para ele, a saúde melhora conforme o ambiente torna-se mais saudável. “Alguma coisa está errada em relação ao mundo em que a gente vive. Os mais antigos dificilmente ficavam doentes como ficamos hoje.”
 
Crico acredita que alguns setores econômicos de Franca estão pouco representados. Na Francal deste ano, disse ter presenciado certa carência dos fabricantes de calçados. Por outro lado, mesmo com a importância que a indústria calçadista representa para Franca, defende que é necessário pensar em formas de incentivar outras áreas da economia local e regional, como o turismo de negócio e o comércio, por exemplo. “Franca precisaria vender melhor sua imagem. A questão da certificação geográfica do café, como café da Alta Mogiana, é uma iniciativa ótima, mas podemos ir além com o polo de moda, fábricas de lingerie, cosméticos”, disse. “O que me indigna é que não somos uma cidade pequena e muitas vezes ficamos sem representatividade por (causa de) um comportamento provinciano.”
 
Ao final da entrevista, o candidato falou de dois temas que geraram muitos debates nas sabatinas das quais participou pelo GCN, principalmente em 2010: homossexualismo e fé católica. “Tenho alguns valores, mas acho que, se você aceitar e amar os outros como são, fica tudo bem”, disse. “Um deputado não pode ser o representante de apenas um segmento. Eu vou lutar pelo cidadão, não importa se é branco, preto, católico, homossexual ou não.”

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