Quadro trágico


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Pesquisa feita com policiais de todo o país, divulgada em 30 de julho, revelou que a maioria (77,2%) diz ser a favor da desmilitarização da PM. Um terço dos policiais brasileiros (34,4%) pensa em sair da corporação. 
 
A insatisfação é grande. Perguntados se, caso pudessem escolher, optariam novamente pela carreira, 43,7% disseram que sim; 38,8% responderam não. 
 
Sobre as dificuldades das rotinas de trabalho, 80% citaram baixos salários, leis penais que consideram ‘inadequadas’, contingente insuficiente, falta de política de segurança pública e formação e treinamento insuficiente.
 
O estudo ouviu 21.101 policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, bombeiros e peritos criminais de todos os Estados. 
 
Foi promovido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas da Fundação Getúlio Vargas e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. Há muitos outros números. O quadro é trágico. 
 
O quadro é trágico. Policiais não estão satisfeitos com seus salários, nem com suas instituições e muito menos, com a preparação para o exercício da profissão. Por outro lado, a sociedade também não está satisfeita com os policiais.
 
O distanciamento entre a polícia e a sociedade, sobretudo a mais carente, é abismal. Seguimos o modelo militarizado de polícia criado na Europa no século XVIII. O que funciona, no entanto, é a polícia comunitária, única que viabiliza impulsionar atividades de participação cidadã na polícia e, reciprocamente, promover atividades de intervenção preventiva policial no entorno social. 
 
Sem uma mudança radical de pensamento os policiais continuarão incrementando os números do genocídio estatal brasileiro, estruturado para fomentar a destruição massiva recíproca entre todas as classes sociais desfavorecidas por desigualdades brutais de renda, acesso ao ensino de qualidade, qualidade de vida, cultura, de patrimônio familiar, ética, autocontrole, equilíbrio emocional etc.
 
LUIZ FLÁVIO GOMES
Jurista 
 

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