Escola Estadual da Vila Raycos defende intervalo duplo


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Foto de arquivo meramente ilustrativa
Foto de arquivo meramente ilustrativa
A Escola Estadual “Ana Maria Junqueira”, na Vila Raycos, tem vivido um impasse desde o início do ano letivo. Com a justificativa de melhorar o aproveitamento do tempo das aulas e a convivência entre os estudantes, a direção da escola implantou no início deste ano o recreio dividido. A partir de então os 1.100 alunos, de ensino fundamental e médio, passaram a ter dois intervalos de dez minutos ao invés de um de 20 minutos. Após certa estranheza e resistência, a medida caminhou bem, mas teve de ser interrompida no início deste semestre por determinação da Prefeitura, responsável pelo fornecimento da merenda para as escolas estaduais, que não concordou com os novos horários de servir a alimentação.
 
Antes da medida ser implantada, era servido um café antes dos alunos iniciarem as primeiras aulas e a merenda na hora do recreio. Com a divisão, o café passou a ser servido no primeiro intervalo, depois de duas aulas, e a merenda na segunda pausa do dia. De acordo com fontes ligadas à escola, mais alunos passaram a consumir o café com a mudança de horário, porque antes os estudantes tinham que chegar mais cedo para terem direito a tomá-lo. 
 
Contrária à alteração, a Divisão da Merenda Escolar do município interveio. Após trocas de ofícios com a Prefeitura, a Diretoria Regional de Ensino de Franca ordenou, então, que a escola voltasse a adotar o recreio único.
 
Pedidos de retorno
O intervalo de 20 minutos retornou juntamente com o início do segundo semestre e desagradou boa parte dos alunos. Para demonstrarem sua insatisfação, parte deles elaborou uma carta elencando pontos positivos para manutenção do recreio dividido. Entre eles a maior facilidade para os alunos que trabalham ou moram longe e não têm condição de fazer as refeições corretamente em casa e menos saídas dos alunos das classes para ir ao banheiro ou para beber água.
 
O Comércio esteve na escola e os estudantes entrevistados se posicionaram a favor da divisão. “Era bem melhor dois recreios. A gente ficava mais descansado e com a cabeça melhor para prestar atenção nas aulas”, disse um aluno da 7º ano.
 
No início, os estudantes do ensino médio foram os que mais resistiram a mudança, mas atualmente passaram a reivindicar seu retorno. “Terminavam duas aulas do professor e a gente descia e tinha dez minutos para uma pausa. Neste tempo a gente relaxava, tomava o café, ia no banheiro e voltava. Assistia mais duas aulas e descia para ter a merenda, aí conversava, tomava água, voltava, assistia mais duas aulas e saía 12h20. Era melhor”, disse um estudante do primeiro ano.
 
Além dos alunos, pais se manifestam favoráveis à divisão de horários. Um deles protocolou uma carta, na última semana, opinando sobre o intervalo duplo. “Vinte minutos é muito tempo para eles ‘pensarem’. Solicitei à diretora que volte os dois recreios, mas sei que não está dependendo dela. Só que tem alguma coisa errada da Prefeitura se meter na merenda do Estado. A partir do momento que cedem algo para a escola, o certo é a direção ser responsável por eles”, disse o pai.
 
O Comércio tentou contato com a diretora da escola, mas ela e nem a vice foram encontradas. A reportagem acionou a assessoria da Secretaria de Educação do Estado, solicitando uma posição da Diretoria Regional de Ensino sobre o assunto. De acordo com a resposta, o Estado voltou a adotar intervalo único para cumprir a determinação da Prefeitura. O município alega falta de diálogo para solucionar a questão.
 
A Prefeitura alega que não houve comunicação da direção da escola a respeito das modificações. Segundo a nutricionista responsável pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar em Franca, Cláudia Coneglian, a legislação determina, inclusive, que o nutricionista seja o responsável por estabelecer o horário em que a merenda dever ser servida. “Se existe a necessidade de ser alterado, entendo que precisamos conversar e esta conversa não houve por parte da direção. Ela fez as alterações por conta própria sem comunicar o setor de merenda escolar.”
 
A alteração foi descoberta, segundo a nutricionista, durante uma visita realizada na escola. “Conforme descobrimos nós tentamos um diálogo, mas não tivemos respeito e tivemos que determinar que seja seguido o horário já estabelecido.”

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