Conjuntura negativa


| Tempo de leitura: 3 min
O Comércio vem registrando nos últimos meses sinais preocupantes sobre a economia francana. Afinal, dependente dos humores da indústria de calçados, que impacta inclusive municípios vizinhos (como Restinga, Patrocínio Paulista, São José da Bela Vista, Cristais Paulista, Pedregulho e até Claraval, Cássia e Capetinga, estes no Estado de Minas Gerais), quando a produção de sapatos vai mal todos os demais setores sofrem. As demissões, causadas pela queda na produção do setor calçadista, começam a causar reflexos nos demais setores da economia local, notadamente o de varejo, estendendo-se para o de serviços.
 
Números oficiais dão conta de que a indústria calçadista chegou a empregar no final de 2013 mais de 30 mil funcionários. Em abril passado, esse número caiu para 28,4 mil e desde então continua em queda. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em apenas dois meses, 506 postos deixaram de existir, marca até então nunca registrada nesse período do ano. Mais sombria é a previsão do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) de que até dezembro ocorra o fechamento de cinco mil vagas no setor, a produção sofra um recuo de 1,2 milhão de pares e a indústria tenha o pior fim de ano desde a crise de 2008.
 
Uma situação que impacta toda a nossa região, trazendo de volta as ameaças dos sombrios anos 1990, quando as fábricas locais viveram um dos piores períodos de sua história, por causa da situação econômica de todo o País. Lá, como agora, o preço do sapato francano perdia a competitividade no exterior e passou a sofrer com a concorrência predatória da indústria calçadista chinesa. Hoje Franca registra aumento de mais de 50% da matéria prima do sapato para o exterior, numa clara demonstração de que a situação é mais grave do que se pensa. Afinal, se a produção local não tem feito frente à demanda de couro, isso evidencia que o setor calçadista está andando para trás.
 
Outra notícia negativa veio da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), mostrando o quanto a crise prejudica a economia local. De acordo com a instituição, a inadimplência em Franca cresceu 11,1% no primeiro semestre de 2014, contra o mesmo período de 2013. Na comparação com junho de 2013, o aumento foi de 13,7%. Também houve aumento na comparação de junho/14 com o mês anterior (6,8%) e no acumulado em 12 meses (9,4%). Para se ter uma ideia da real situação da nossa economia, a inadimplência acumulada em 12 meses no Estado de São Paulo foi de apenas 3,1% e, no Brasil, 5,2%. Entre maio e junho, o crescimento em SP foi de 3% e no País, 2,8%. Isso mostra que os indicadores negativos são maiores no município do que no resto do País. Ou seja: a situação é mais grave por aqui em razão dos dias tumultuados vividos por nossa indústria. Se não for encontrada uma saída para este momento grave, a situação pode ficar ainda pior, prejudicando no fim toda a população francana. A cidade não pode - e não merece - seguir nesta situação.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários