Os moradores da zona Sul estão intrigados. Há meses a população da região convive com o prédio pronto onde será instalada a primeira UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Franca e a UBS (Unidade Básica de Saúde) “Fabiana Sanches Rodrigues Alves”, na avenida Magistrado Renato Salles Abreu, mas não entende por que o local ainda não foi inaugurado. Em abril deste ano, o Ministério da Saúde informou que as portas seriam abertas em setembro. Mas, a um mês para o vencimento do novo prazo, o local aparenta estar nas mesmas condições que foi encontrado 90 dias atrás.
O Comércio esteve ontem no prédio onde será a UPA e a nova UBS e encontrou o local totalmente pintado e até com placas nas portas informando qual atividade vai ocupar cada cômodo. Os banheiros possuem vasos sanitários, pias com torneiras e cubas e alguns têm até barras adaptadas para deficientes físicos. As portas possuem maçanetas e as janelas têm fechaduras. Mas nenhuma cadeira, maca ou qualquer outro móvel ou equipamento foi colocado no local.
As condições que o Comércio encontrou o prédio ontem foram as mesmas vistas pela reportagem em abril deste ano, mês no qual o Ministério da Saúde deu setembro como a nova data para inauguração da UPA e da UBS.
A UPA começou a ser construída em junho de 2012 e a previsão inicial era de que ficaria pronta em oito meses. Os moradores arriscam respostas sobre o motivo do atraso. Para o professor Alckimin Batista de Moura, 54, faltam médicos para atender a demanda da UPA. Já para a desempregada Tamara Santos Maciel, 19, o governo estaria esperando um momento oportuno para abrir as portas da Unidade. “Talvez inaugure mais perto das eleições.”
Mas, o fato é que os moradores sentem falta de um PS na região. “A UBS 24 horas não tem médico nas 24 horas do dia. A população da zona Sul tem que se deslocar até o ‘Álvaro Azzuz’, na outra ponta da cidade, que vive cheio e não dá conta de atender todo mundo. E o pior de tudo é saber que nossos impostos estão encalhados ali”, disse Moura.
Quando precisa de atendimento de saúde com emergência, a primeira opção de Tamara é a UBS 24 horas do Aeroporto I, mas ela reclama que nem sempre é atendida. “É muita gente que vai na UBS e pouco médico para atender todo mundo. É difícil conseguir atendimento.”
Sem resposta
A União investiu R$ 2,6 milhões nas obras da UPA do Aeroporto, R$ 400 mil na UBS, além de R$ 621,7 mil na compra de equipamentos. O município ficou responsável pela execução das obras. Em outubro do ano passado, a estimativa da Prefeitura era de que o valor total da UPA seria de R$ 4,9 milhões. O município e o governo federal foram questionados por e-mail sobre o motivo do atraso para a entrega, mas nenhuma resposta foi enviada até o fechamento desta edição.
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