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Após inúmeros telefonemas, recados e do suspense criado em torno da homologação de sua candidatura, finalmente a candidata do PEN (Partido Ecológico Nacional) a deputado estadual por Franca, Maria Luisa Pereira Rosa, resolveu falar de sua candidatura.
Após inúmeros telefonemas, recados e do suspense criado em torno da homologação de sua candidatura, finalmente a candidata do PEN (Partido Ecológico Nacional) a deputado estadual por Franca, Maria Luisa Pereira Rosa, resolveu falar de sua candidatura.
Falar com Maria Luisa não é uma tarefa simples. Integrante da ONG Cão que Mia, um dos grupos de proteção a animais em Franca, ela faz desse trabalho sua principal ocupação, mesmo ainda ligada à Secretaria Estadual de Educação. Professora de ciências e matemática nos ensinos fundamental e médio, está afastada por problemas de audição.
A candidatura de Maria Luisa é uma incógnita. Não é possível antever se ela está disposta a levar sua campanha adiante, entrar no corpo a corpo com eleitores e apresentar suas propostas, que passam pela proteção aos animais e pela educação.
Durante pelo menos duas semanas em que foi procurada pela reportagem, não atendeu qualquer ligação em seus dois celulares. Se atendesse, seria apenas mais uma dentro das 50 ou 60 que recebe por dia de pessoas indicando animais em risco ou abandonados.
Última na lista de 16 candidatos para deputado estadual e federal a ter seu nome confirmado oficialmente pelo Tribunal Regional Eleitoral, Maria Luisa fez de outro político, César Mamede, presidente do PTB em Franca, seu interlocutor. Maria Luisa concorreu nas eleições para vereadora, em 2012, pelo PTB. Daí sua proximidade com Mamede, a quem chama de amigo.
Levando em conta a inacessibilidade da candidata, começaram os rumores sobre as razões de sua candidatura. Maria Luisa estaria mais sendo usada para compor o percentual feminino exigido pela Justiça Eleitoral em quaisquer partidos ou coligações do que propriamente se lançando por vontade própria. Sem ela, o PEN perderia o direito de alistar dois candidatos masculinos na disputa pela Assembleia Legislativa. Maria Luisa negou a manobra. Presidente do partido em Franca, foi convencida por Mamede a se candidatar.
Nascida em São Paulo, Maria Luisa é casada, mãe de um filho e avó uma vez. Na entrevista, não falou de aspectos da campanha. Estranhamente, disse que “já que foi indicada” tentará organizar a candidatura, embora não disponha de tempo para isso.
Segundo ela, o que mais a incomoda, além evidentemente da proteção aos animais, é a estrutura educacional no Estado. Com 23 anos de profissão, chamou o ambiente escolar de caos. “Eu não acho que seja um problema de uma escola ou de Franca. É no sistema todo”, afirmou ela. “O que temos é uma lousa e um giz, e mais nada”, citou.
Dentre todas as questões que merecem atenção, a que considera mais urgente e necessária de mudança é o programa de aprovação continuada, em que o aluno passa de uma série para outra de maneira automática. Para ela, da forma como está, uma geração inteira de analfabetos funcionais está sendo criada dentro das escolas, que viraram depositório de alunos.
“O estudante vai para a escola e tem que ficar lá dentro não importa o que aconteça. Já vi escola funcionar sem água, o que é proibido, mas dispensar o aluno ninguém pode”, disse Maria Luisa. “Eu voltaria a educação 50 anos atrás. Em algum ponto, a qualidade desandou. Hoje a criança é socada dentro da escola e a professora que se vire.”
Em relação à atividade pela qual é conhecida, na ONG Cão que Mia, Maria Luisa dedica a maior parte do seu tempo à tarefa de resgatar e cuidar de animais abandonados, colocando-os, na maior parte dos casos, para adoção, após abrigá-los, contando para isso com uma rede de colaboradores e voluntários. Segundo ela, ainda que nenhuma conta oficial tenha sido feita neste sentido, um balanço informal pode apontar mais de 2.500 animais abrigados pelas cinco entidades que tratam dos bichos em Franca.
Em sua chácara, que não quis dizer onde fica, recebe animais de várias espécies. Cães e gatos são maioria, mas há cavalos, como o que comprou por R$ 80 de um carroceiro, após ser chamada para resgatar o animal, que teria desmaiado de exaustão.
O trabalho já rendeu piadas, perseguições e xingamentos, mas para ela, as pessoas perceberam que animal também vota, frase dita em alusão aos 1.633 votos que obteve em 2012, quando concorreu para vereadora.
Ao se referir à falta de uma política séria para controlar a população de animais de rua, Maria Luisa citou Patrocínio Paulista, cidade com 13 mil moradores, onde a Prefeitura local castra perto de 120 cães por mês, enquanto que em Franca esse número não chega a 150, com a diferença de que é uma cidade perto de 30 vezes maior.
Sem aparentar preocupação com o resultado nas urnas, Maria Luisa quer mais é manter o debate sobre a responsabilidade com a posse de animais e os cuidados com aqueles abandonados na pauta de discussões. “Não preciso ganhar. Preciso mostrar que o movimento está forte e aumentando todo mês.”
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