Quatro moradores de Uberaba (MG) foram indiciados ontem por roubo seguido de sequestro e cárcere privado. Na madrugada de quarta-feira, 30, a quadrilha rendeu um engenheiro aposentado de 69 anos em Estreito, distrito de Pedregulho (SP), e o levou para Uberaba. A vítima passou cerca de 19 horas encapuzada antes de ser libertada. Dos integrantes do bando, os quatro que tomaram o idoso como refém foram presos fazendo compras com cartões de crédito dele. Outras duas pessoas estão sendo procuradas em Minas Gerais. Elas fizeram a “segurança” do cativeiro onde a vítimas foi mantida.
A polícia, com base no depoimento dos réus confessos, apurou que a ideia de assaltar o engenheiro aposentado foi do entregador Juliano Barbosa de Souza, 26. Ele morou em Estreito antes de se mudar para Uberaba, conhecia os hábitos da vítima e sabia que ela morava sozinha. Souza, então, convidou para a “fita” o lavador de veículos Guilherme Felippe Santos da Fonseca, 18, e os primos, servente Antônio Marcos Herechia de Souza, 22, e lavador Moisés Roberto de Herechia, 28. Eles aceitaram.
O quarteto viajou 100 km até Estreito no veículo de Guilherme Fonseca. Todos entraram na vila através de um matagal e aguardaram até o início da manhã de quarta para agir. No momento em que o engenheiro saiu para colocar o lixo na calçada, foi rendido pelos bandidos. “Eles queriam R$ 5 mil em dinheiro. Eu disse que só tinha cartão. Então eles vasculharam a casa e falaram que iam me levar para poderem utilizar o cartão”, disse a vítima.
O idoso foi colocado no seu próprio veículo, um Golf, 2012, prata, com os olhos vendados por um pedaço de pano e levado para Uberaba junto com TV, computador, impressora e ouros objetos de valor. “Apuramos que a vítima foi deixada na casa do Guilherme (Fonseca), sob custódia (vigilância) da namorada dele e de um rapaz identificado apenas como Marcos”, comentou o delegado Márcio Garcia Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, onde os quatro foram interrogados.
Quarta-feira, o quarteto viajou no veículo do aposentado até Ituverava. Em uma agência bancária sacaram R$ 1.500 em dinheiro e rumaram para Franca. Dez celulares foram adquiridos em diferentes estabelecimentos da cidade. A forma de pagamento foi o cartão de crédito da vítima. De Franca, os bandidos seguiram para Guará. Eles compraram mais dois aparelhos em uma loja e quando se preparavam para comprar mais dois em outro estabelecimento, foram detidos por PMs. “Uma vendedora desconfiou do grupo e avisou a Polícia Militar. Eles foram detidos e apresentados na Delegacia da cidade”, disse Murari.
E a vítima?
O grupo estava de posse dos documentos pessoais, cartões de crédito e do veículo do engenheiro aposentado. Eles alegaram que “acharam” o carro abandonado em uma estrada de Estreito, com as chaves no contato e objetos pessoais no interior. Policiais de Pedregulho estiveram na casa da vítima e a encontraram toda revirada. Os vizinhos falaram que não viam o idoso, que mora sozinho, deste terça. Encontrar o aposentado passou a ser o objetivo na quarta-feira. Não havia vestígios de onde ele poderia estar e nenhum registro de desaparecimento. Os quatro detidos, presos em flagrante por estelionato e furto de veículo em Guará, foram encaminhados para a cadeia do Jardim Guanabara, em Franca.
Liberdade
A polícia paulista só tomou conhecimento de que a vítima estava viva e havia sido sequestrada na manhã de ontem. O engenheiro aposentado JNF compareceu na Delegacia de Pedregulho para relatar o que lhe teria ocorrido. Em seu depoimento e, posteriormente, em entrevista, o idoso disse que passou cerca de 19 horas com os olhos vedados. “No início eu não sabia onde estava, mas no cativeiro descobri que era Uberaba por causa das propagandas na televisão”, lembrou JNF.
Na noite de quarta, uma das pessoas que estava no cativeiro lhe disse para se arrumar que seria libertado. Ele foi deixado em um terreno baldio localizado entre duas avenidas. Após caminhar cerca de um quilômetro, ele encontrou um rapaz, contou sua história e a Polícia Militar da cidade foi comunicada. Levado a uma delegacia, JNF prestou depoimento e conseguiu R$ 50 emprestado com um policial militar para voltar para Pedregulho de ônibus, onde chegou na manhã de ontem.
Recuperado do susto, mas ainda com o pensamento voltado para o que lhe ocorreu, JNF voltou para a casa na tarde de ontem. “A gente ouve tanta história por aí, que cheguei a imaginar que seria morto”, disse o funcionário aposentado de Furnas, que mora no distrito de Estreito desde 1982. Apesar de tudo, ele não pretende deixar a localidade.
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