Violência no trânsito


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Desde o último final de semana, sete pessoas morreram em acidentes de trânsito em nosso município, notadamente em rodovias que demandam a Franca. À parte as causas, o número crescente de acidentes verificado por aqui deixa bastante claro que muita coisa está errada, desde a formação falha do motorista brasileiro até a imprudência, que se torna irresponsabilidade quando condutores assumem o controle de veículos automotores depois de ingerirem bebida alcoólica. No entremeio, o Código Penal ainda contribui para este estado de coisas, ao aplicar penas brandas a quem comete infrações graves, que levam até à morte de inocentes.
 
Em Franca, os casos se multiplicam e há ocorrências, de anos atrás, que não tiveram um desfecho judicial até hoje. No final, quando há, as penas se tornam brandas demais, como distribuição de cestas básicas ou serviços comunitários, estimulando atos infracionais ou realmente criminosos como o que causou a morte de duas mulheres que faziam caminhada pela avenida São Vicente, dias atrás. Aparentemente, nem o advento da Lei Seca foi capaz de melhorar todo o panorama que estamos vivendo. Teve um efeito salutar no início e, hoje, não impede mais ninguém de dirigir embriagado — ou alcoolizado.
 
Neste ponto, a adoção de uma chamada “tolerância zero” — que, de resto, deveria ser instituída para todos os tipos de crime, como ocorreu em Nova York, reduzindo os índices de violência na metrópole norte-americana — poderia ser capaz de causar um impacto benéfico neste caos do trânsito, aliada a penalidades severas aplicadas aos infratores. É uma questão que deveria ser considerada imediatamente pelos nossos legisladores como medidas saneadoras capazes de reduzir as mortes no trânsito brasileiro (que superam as 40 mil, de acordo com índices de 2010 do Mapa da Violência, mas que já ultrapassam em muito este número nos últimos dois anos).
 
A formação dos condutores -- motoristas e motociclistas -- também contribui para este crescimento. Os exames para se conseguir a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) dificilmente conseguem aferir, de forma real, a capacidade dos examinados. Alunos de autoescolas são ensinados mecanicamente, tanto nas aulas teóricas como nas práticas. E, depois de aprovada, a maioria aparentemente esquece tudo o que foi ensinado.
 
O motorista brasileiro em geral — e o francano em particular — comete uma série de barbaridades nas ruas e rodovias (para em locais proibidos, não sinaliza a conversão com a seta, trafega em alta velocidade, bebe antes de dirigir e troca de faixa a seu bel prazer, entre várias outras) sem qualquer prudência. E com isso, causa acidentes, muitos deles fatais e que atingem inocentes, enlutando famílias que esperam os seus entes queridos retornarem em segurança para casa. Uma triste realidade que precisa mudar antes que novas tragédias estampem as páginas do Comércio, com uma capa expondo o luto, como a de ontem. A necessidade de alterar este quadro deve receber atenção máxima de nossos representantes eleitos.
 
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