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Apoio a movimentos de rua, reivindicações sociais, pautas mais voltadas à esquerda. As bandeiras dos militantes e candidatos do PSol já são bem conhecidas e difundidas. Em Franca, o professor Ulisses Pinheiro não foge à regra. Indicado pela legenda, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Apoio a movimentos de rua, reivindicações sociais, pautas mais voltadas à esquerda. As bandeiras dos militantes e candidatos do PSol já são bem conhecidas e difundidas. Em Franca, o professor Ulisses Pinheiro não foge à regra. Indicado pela legenda, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Pinheiro, 26, é professor de história e sociologia, formado pela Unesp de Franca em 2009. Três anos mais tarde, concluiu seu mestrado na área. Nascido e crescido em Franca, onde começou também a lecionar, sua família é formada pelo pai Arivaldo, protético, e a mãe Marineti, comerciante, além das duas irmãs Larissa e Priscilla.
Ao escolher um café no Centro da cidade para conversar com a reportagem, Pinheiro falou de suas pretensões e de como entende que somente uma maior participação da população nas decisões do Estado poderá levar a uma sociedade mais justa.
Militante de movimentos sociais desde a adolescência, recentemente engajou-se nas manifestações contra o aumento das tarifas do transporte público em Franca e, no passado, com os protestos que chegaram à cidade em junho. “Antes de qualquer vinculação partidária, eu já participava desses movimentos”, disse. “Depois, até como necessidade da carreira de professor, dando aula de sociologia, eu percebia que precisava materializar aquilo que eu já falava em sala.”
A militância política mais efetiva veio dois anos e meio atrás, quando se aproximou do PSol. Dentro do partido, afirma ele, sua participação foi chamando a atenção até que surgiu o convite para se inscrever e concorrer nestas eleições. Para ele, o diferencial entre sua campanha e as demais será o caráter coletivo que os militantes emprestarão.
Como o fim do financiamento de campanhas por empresas é uma das propostas do PSol, não serão aceitas doações da iniciativa privada. O dinheiro para bancar a candidatura, assegura ele, virá de doações de amigos, familiares e da militância. Com uma equipe composta, segundo ele, por entre 20 e 30 pessoas, a base de apoio a seu nome virá sobretudo do público universitário.
Propostas
Ao usar seu perfil pessoal no Facebook, Ulisses Pinheiro relacionou as propostas que pretende defender em sua campanha, a começar pela tarifa zero no transporte público. Acredita que, com os valores que as empresas pagam a seus funcionários para que possam usar o transporte, com maior repasse dos governos estadual e federal e a taxação de grandes fortunas, a cobrança poderia, sim, deixar de ser feita.
“Não é utopia. Dentro da estrutura que nós vivemos hoje, com a visão de Estado empresarial, que é a gestão do PSDB, parece realmente impossível”, ponderou Pinheiro. “O trabalho seria progressivo. Não seria da noite para o dia que deixaria de cobrar. De qualquer forma, é um debate a ser iniciado e construído”, acrescentou.
Para quem já se interessou em ler as propostas do PSol, há o que o partido chama de “radicalização da democracia”, que, explicou o candidato de Franca, nada mais é que a sociedade ter maior participação nas decisões do Estado, coisa que a legenda acredita ser fundamental.
Para ele, falta tanto os governos, como os candidatos, chamarem a população para falar sobre assuntos de real interesse. “Como você vai tomar decisões sérias na Saúde e no Transporte, por exemplo, sem consultar a população? E não falo por meio de plebiscitos, não, mas por participação direta dos representantes dessas pessoas.”
Como participante efetivo nas recentes manifestações, Ulisses Pinheiro disse que uma das discussões que o PSol pretende iniciar é a desmilitarização das polícias no Brasil. “São investimentos altíssimos em militarização que poderiam ser usados para outros fins, mesmo que dentro da polícia. O que vemos no Estado de São Paulo hoje é uma força militar paralela”, afirmou o candidato. Em sua opinião, é um modelo de segurança que precisa ser remodelado. “Precisamos de uma polícia que dialogue com a população, que faça parte dela. Do contrário, para que precisamos de uma polícia armada, com aquele aparato todo, para conter uma passeata?”
Acredita também que a revisão da política antidrogas deve ser obrigatoriamente realizada. Não se trata, como explicou, de abrandar o controle sobre o traficante. Pinheiro, que disse nunca ter sido usuário de drogas ilícitas, criticou o nível de debate que cerca o assunto, principalmente quando se compara o número de mortes de pessoas vítimas de álcool com as que, supostamente, morreram em decorrência do uso da maconha.
“Estamos tentando uma transformação. Se será através da eleição, que seja. Se não, vamos continuar fazendo política de uma maneira até mais eficiente que no poder, que é na rua, com as manifestações, os movimentos sociais”, disse Pinheiro. “Ganhando ou não, queremos mostrar nossa cara. Não é com a falta de uma eleição que ficaremos impedidos de trabalhar.”
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