Um a cada três carros levados por criminosos não é encontrado pela polícia. Nos seis primeiros meses deste ano, de 433 veículos furtados ou roubados em Franca, somente 284 foram recuperados. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública e revelam um aumento de 12% nesse tipo de ocorrência na comparação com o primeiro semestre do ano passado. Enquanto em 2013, a média era de 64 veículos levados por mês, neste ano a média atingiu 72.
Neste ano, segundo a estatística policial, maio foi o mês com maior incidência desse tipo de crime: 103 no total. Fevereiro registrou praticamente a metade: 56 casos. Maio e junho tiveram os maiores índices de veículos recuperados: 59. Para efeito de comparação, Franca fica atrás de cidades do mesmo porte, como Bauru, que apresenta índice de 77,7%, por exemplo, contra 67%.
O analista de sistemas Rafael Querino Moreira, 29, engrossa as estatísticas de pessoas que tiveram o veículo levado por bandidos e que não foi recuperado. Seu primeiro carro, um Santana, ano 1988, de cor azul, estava estacionado na rua Joaquim Elias, próximo ao Sesi, quando foi furtado em julho de 2011. Três anos depois, não há pistas dos ladrões ou do carro levado em plena luz do dia.
Após o crime, Rafael Moreira seguiu até a delegacia, onde registrou boletim de ocorrência. Além disso, ele tentou, sem sucesso, localizar o carro por conta própria. “Fiquei duas semanas rodando por vários lugares para ver se o localizava. Era meu primeiro carro. Uma amiga comentou na época que ouviu falar sobre o furto de um carro antigo no mesmo local onde o meu foi levado. Ele seria encomenda de um desmanche existente na cidade”, lamentou.
Furtar veículos para revender as peças é um dos motivos que levam criminosos a tal ação. Pagar por um seguro, dica dada pela polícia para amenizar o problema, nem sempre se aplica, principalmente em casos onde o valor do bem é pequeno. Melhor evitar estacionar em ruas afastadas, em locais ermos ou sem segurança por longos períodos. Mas nem o movimento inibe um ladrão.
Rafael Moreira contou que uma prima, Eduarda Paiva Manhani, também teve o carro furtado. Levaram dela um Santana azul, 1989, em pleno Centro de Franca. O fato aconteceu há cerca de dois anos e também permanece sem solução. Diferente de Thaís, amiga de Moreira. Ela teve um Gol furtado enquanto entrava em uma sorveteria em plena avenida Alonso y Alonso, próximo a Champagnat. O final feliz veio três dias depois, quando o carro foi encontrado pela polícia semi-desmontado, ou seja, sem motor, rodas e bancos. O mercado clandestino teriam sido o destino das peças.
Mais sorte deu o encartador Edson Sebastião Moreira Borasqui, 27. Horas depois do furto, ele recuperou seu veículo. Borasqui teve a moto Honda Strada furtada do lado de fora da Unifran, enquanto ele estava na universidade. Após o susto, o rapaz recebeu uma ligação da polícia para informar que a tinham encontrado. Através da placa, chegaram ao seu telefone. “Não esperava que no mesmo dia teria minha moto de volta, foi um alívio. A polícia trabalhou bem e eu não tive prejuízo”, afirmou. Apesar de vários contatos, nenhum delegado da Polícia Civil se pronunciou sobre os casos.

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