Este Comércio, em sua edição dominical de 27 de julho informou que a indústria calçadista francana, base da economia local, tem a previsão de demitir 5 mil empregados. E que, concretizada a medida, os reflexos para a cidade serão desemprego, diminuição da renda, prejuízos em série. Enfim, desastre de nefastas proporções vitimando trabalhadores e empresários.
Mas, não é somente a indústria de calçados franca que padece dos males da insuficiência da procura, da decrescente inserção internacional, da baixa produtividade, da perda de relevância. O mal atinge toda a indústria brasileira. Em 2013, com a economia crescendo à taxa de 2,3% (ou 2,5%, como quis o IBGE) a agropecuária foi o que apresentou melhor desempenho: cresceu 7%, graças a uma safra recorde de grãos. Os serviços cresceram um pouco menos (2%) e a indústria apenas 1,3%.
Volto ao tema da desindustrialização pela importância que o setor tem para a economia brasileira como um todo e, particularmente, para a geração de emprego e renda e inserção do país na economia mundial. Desde 2003, o governo lançou três políticas industriais para promover alteração na dinâmica microeconômica entre os setores produtivos, visando alcançar melhores resultados no conjunto da economia. Houve progressos em subsetores, mas o resultado geral é ruim, sobretudo quanto a inovação e produtividade.
Como se observa no setor calçadista, o desempenho da indústria irradia efeitos. Quando a indústria não vai bem, os efeitos são devastadores, gerando crise e estagnação. Em busca de estímulos e superação dos entraves, será preciso eliminar o problema cambial, a qualidade da mão de obra, a deficiente infra-estrutura, má orientação do gasto público, sistema tributário, simplificação da legislação e regulamentos de toda ordem, além da insegurança jurídica. Modernizar as leis de trabalho também é essencial.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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