O que se tem visto no mundo, em anos recentes -- o que se repete ao longo da história da humanidade — é uma radicalização inexplicável, seja em grandes conflitos armados ou em outros mais corriqueiros, como uma greve por melhores salários. Até na atual campanha eleitoral brasileira as movimentações seguem neste mesmo sentido. A polarização “eles contra nós” nada mais é do que a radicalização de posições antagônicas, sem que se busquem alternativas viáveis e comuns para o desenvolvimento do País. Discutem-se ideologias e posições bem mais do que programas de governo. O radicalismo dos discursos deixa de lado o que realmente interessa ao eleitor, à população brasileira. No fim, vota-se em personas e não em propostas. E perdem-se mais quatro anos.
Os conflitos que ocorrem hoje no Oriente Médio, na Faixa de Gaza, opondo israelenses e palestinos também são frutos de visões radicais que não se resolvem diplomaticamente. Israel não abre mão de se apartar dos palestinos, enquanto o Hamas (grupo considerado terrorista e que domina as ações do outro lado) se bate contra a dominação e ocupação dos territórios reivindicados pela AP (Autoridade Palestina). Com bombardeios e ataques perpetrados de lado a lado, as baixas continuam atingindo civis, entre eles muitas mulheres e crianças. Milhares de mortes teriam sido evitadas se o diálogo se sobrepusesse às ações armadas e ao discurso radical de ambos os litigantes.
A situação se repete em outros pontos do planeta, entre Ucrânia e Rússia, entre facções antagônicas do islamismo em Israel e no Afeganistão e entre defensores do Islã e do cristianismo na África. Ninguém se queda para pensar no destino que se dá a centenas de milhares de pessoas nestes países. Até avião comercial já foi abatido, deixando centenas de mortos que não tinham qualquer relação com o conflito. A vida continua e nada muda, ninguém cede e muito menos concede: danem-se as vítimas, hoje consideradas apenas “efeito colateral”. Muitos já sofreram com a dor da perda, que se torna inexplicável e injustificável.
Trazendo a questão aqui para o Brasil, os fatos envolvendo ativistas e a polícia do Rio de Janeiro, noticiadas recentemente, também poderiam ser evitados se o diálogo prevalecesse à radicalização. Ativistas movidos não se sabe por que entraram na mira da polícia e da Justiça em razão de ações de vandalismo provocado por um ódio mortal a tudo que diga respeito ao capitalismo e ao lucro. A inexistência de uma pauta de reivindicações impede qualquer forma de negociação ou diálogo. O mesmo vale para greves que, trazendo em seu cerne um radicalismo intolerável, causam transtornos e prejuízos não àqueles a quem buscam atingir, mas sim aos que mais precisam, principalmente quando a paralisação atinge serviços públicos. Trocar atitudes radicais por diálogo pode levar a negociações que impeçam a perda de vidas ou prejudicar os menos favorecidos. E, com isso, fazer um mundo melhor.
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