Não é apenas em Franca que os problemas no sistema de saúde pública se multiplicam. No País também. As recentes notícias dando conta da insolvência vivida pela Santa Casa de São Paulo é apenas um sintoma do que vem acontecendo atualmente no Brasil. Referência em uma série de especialidades, a Santa Casa da capital precisou fechar o atendimento de Pronto-socorro para que governos -- estadual e federal -- se mexessem no sentido de evitar um desastre maior. Afogada em dívidas, sem dinheiro para pagar fornecedores e suprimentos, a situação do hospital filantrópico repete-se em diversos municípios; alguns, com apenas uma unidade para atendimento, estão prestes a cerrar as portas.
Já vivemos situação semelhante com a Santa Casa de Franca que só continua funcionando por causa da gestão assumida pelo governo do Estado, o qual investe um dinheiro que deveria estar vindo dos cofres federais. Esta condição torna-se um paliativo diante dos grandes problemas de gestão e administração que o sistema público de saúde vem enfrentando há mais de uma década. Com isso, Estados e Municípios são obrigados a investir um dinheiro que poderia estar sendo utilizado para melhorar ainda mais o atendimento, tornando-o mais rápido e humanizado.
Se as coisas continuarem neste mesmo diapasão, a saúde pública no Brasil pode entrar num caminho sem volta, beirando um colapso total onde os grandes prejudicados, como sempre, serão os milhões de brasileiros que dependem do serviço. De Norte a Sul, do Nordeste ao Sudeste, este sistema que aí está apresenta problemas cujas causas estão no cerne da questão. Gerenciamento deficiente, fiscalização falha e falta de reajuste na tabela que remunera os procedimentos pagos aos hospitais públicos são apontados como causadores do caos hoje enfrentado em todo o território brasileiro. Juntem-se a isso gargalos e desvãos que servem à corrupção e temos um quadro bastante assustador da situação atual.
Por isso, há a necessidade de uma total reformulação do sistema público de saúde brasileiro. Os hospitais e ambulatórios não podem mais viver de pires na mão mendigando migalhas para manter o atendimento à população menos favorecida, sem recursos para pagar planos de saúde particulares. Até hospitais de referência, como o Hospital de Câncer de Barretos, só conseguem manter-se abertos em razão do auxílio que recebem em promoções diversas — neste caso, de personalidades e artistas que destinam parte de seus ganhos em shows ao principal hospital especializado em câncer na América Latina.
O governo precisa seguir a Constituição e manter o atendimento público de saúde. Se há dinheiro para estádios da Copa e para pagar superfaturamentos e corrupção, ele está sendo desviado de onde seria mais bem utilizado e é extremamente necessário. Salvar a saúde pública precisa ser tarefa primordial a ser empreendida por administradores e legisladores eleitos, antes que seja tarde para qualquer saída capaz de manter o sistema funcionando.
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