Vereador Laercinho depõe e volta a negar irregularidade


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Vereadores Bahia, Donizete da Farmácia, Laercinho e Marco Garcia, em oitiva na Comissão de Ética
Vereadores Bahia, Donizete da Farmácia, Laercinho e Marco Garcia, em oitiva na Comissão de Ética
Durou pouco mais de 1h40 o depoimento prestado pelo vereador e candidato a deputado estadual Miguel Laercio Mathias, o Laercinho (PP), à Comissão de Ética da Câmara nesta segunda-feira. Como já era esperado, Laercinho mais falou do que foi perguntado. Começou seu depoimento pedindo permissão para contar sua versão sobre as acusações de oferecer dinheiro, mudas e até uma vaca para o sitiante João Miguel Garcia Siqueira não denunciar uma suposta invasão às suas terras nas obras de alargamento da estrada rural Manuel Mathias, no Paiolzinho, e negou ter cometido qualquer irregularidade. 
 
Laercinho foi denunciado à Comissão de Ética pelos vereadores Márcio do Flórida (PT) e Valéria Marson (PSDB), depois que a imprensa divulgou um vídeo em que ele é flagrado oferecendo dinheiro, mudas e uma vaca “boa” ao sitiante. Na gravação, Laercinho afirma que a oferta estava sendo feita para evitar problemas futuros e dor de cabeça.
 
Em seu depoimento, o vereador admitiu ter tentado comprar um trecho das terras de João que teria sido invadido pelas máquinas da Prefeitura. “Eu fiz porque queria resolver logo aquela situação. Não ameacei ninguém. Ofereci dinheiro do meu bolso. Ia comprar a terra e doar para o município. Não vejo irregularidade nisso.”
 
Sobre a queixa do sitiante de ter tido prejuízo com a suposta invasão de suas terras, Laercinho afirmou que João havia sido avisado verbalmente a respeito. “Ele, inclusive, esteve em meu gabinete com a escritura do imóvel para me pedir que solicitasse à Emdef serviços de melhoria na entrada do sítio dele.” O vereador apresentou cópias dos documentos, que foram entregues à Comissão. 
 
Os vereadores Josivaldo Bahia (PTB), Donizete da Farmácia (PSDB) e Marco Garcia (PPS) não perguntaram por que Laercinho foi pessoalmente negociar com o sitiante em vez de acionar os responsáveis pela obra - no caso, a Prefeitura e a Emdef. Também não questionaram porque as notificações a respeito da obra não foram feitas formalmente por escrito. 
 
Ao final de seu depoimento, Laercinho disse acreditar que tenha sido vítima de uma armação política. “Duvido que, se eu não fosse candidato a deputado estadual, isso estaria acontecendo comigo. Pelo que sei e pelo que estive pensando, só posso imaginar que estou sendo vítima de perseguição política.” Apesar das afirmações, não apresentou nenhuma prova a respeito e confirmou ser ele o homem que aparece no vídeo e admitiu as ofertas feitas ao sitiante. 
 
O presidente da comissão, Josivaldo Bahia, disse que agora os três membros devem se reunir e discutir os dois depoimentos já tomados. A intenção é concluir a investigação até o final desta semana. Sobre novas convocações, afirmou que ainda serão debatidas. “Se sentirmos necessidade, vamos chamar. Mas acredito que não será preciso.”

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