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Para quem se dizia um completo alienado em relação à política quando se candidatou a vereador em 1982, naquela que foi sua primeira vitória em eleições, até que o deputado estadual Roberto Engler (PSDB) tomou gosto pela coisa. Perto de terminar seu sexto mandato, o tucano diz que enquanto a saúde física permitir - e o eleitorado escolher - continuará trabalhando.
Para quem se dizia um completo alienado em relação à política quando se candidatou a vereador em 1982, naquela que foi sua primeira vitória em eleições, até que o deputado estadual Roberto Engler (PSDB) tomou gosto pela coisa. Perto de terminar seu sexto mandato, o tucano diz que enquanto a saúde física permitir - e o eleitorado escolher - continuará trabalhando.
Tucano arraigado, fundador do partido em Franca e coordenador da legenda em outras 20 cidades, é defensor do governo do PSDB no Estado, que completou 20 anos, e atual vice-presidente da Assembleia Legislativa.
Ex-professor primário, após uma passagem de 11 anos pelo setor bancário, fez carreira como docente da Universidade de São Paulo (USP), onde se formou em matemática, mesma disciplina pela qual obteve seus mestrado e doutorado. Na Unesp foi professor auxiliar de estatística no curso de serviço social. Atualmente é cafeicultor.
Engler acredita que o número excessivo de candidatos a deputado estadual é prejudicial a todos. “Todos têm o direito de colocar suas candidaturas sem serem contestados, mas um número tão grande de candidatos acaba pulverizando os votos, pondo em risco todo mundo”, disse Engler. “Embora seja um direito, e eu respeito, penso que muitos desses nomes vão eleger candidatos de outras cidades. Eu me preocupo com a minha eleição e também me preocupo com o fato de Franca perder sua representatividade política.”
Ao chamar de “desleal” e “desequilibrada” a disputa entre quem tenta sua reeleição e aqueles que estão se lançando pela primeira vez, o tucano chamou de “ingrata” a tarefa que seu colega de partido Adérmis Marini tem pela frente, tentando chegar à Câmara dos Deputados. Neste quesito, a única ressalva que fez foi em relação à proibição de certos tipos de propaganda, o que acaba impondo limite de gastos nas campanhas.
Durante a entrevista, Engler mais falou do que já fez do que propriamente das propostas para um eventual sétimo mandato. Apesar de citar conquistas políticas como a instalação do AME (Ambulatório Médico de Especialidades), o novo campus da Unesp e a duplicação da rodovia Cândido Portinari, falou que alguns projetos, apesar de anunciados, ficarão para a gestão 2015/2018 do Governo do Estado. Entre elas estariam a construção da unidade de Franca do Conservatório Musical de Tatuí, com verba já garantida e local definido, a pavimentação da estrada velha até Batatais, orçada em R$ 80 milhões e que deveria ter saído este ano, além da continuação da duplicação da Portinari. Completou a lista com prováveis dois novos cursos na Unesp e os viadutos da avenida Champagnat e o de acesso à Vila São Sebastião.
Na disputa por projetos com o também deputado estadual Gilson de Souza (DEM), disse que mantém boa relação com o colega e que não anuncia nada que não seja trabalho próprio. Mesmo considerando pejorativa a visão que boa parte da população tem em relação à classe política, Engler disse que não se considera um político profissional. “Sei que há uma insatisfação muito grande, o que faz com que a tarefa dos homens públicos que têm consciência e querem trabalhar acabe sendo colocada no mesmo cesto. E eu não aceito isso.”
Aproveitando a novela em que se transformou a instalação do projeto Bom Prato em Franca, onde a tríade prefeito, deputado e governador, todos do mesmo partido, parece não estar afinada, Engler disse que falta à Prefeitura definir um local com grande trânsito de pessoas, premissa do projeto. A citação ao Bom Prato tinha como objetivo saber como anda a ligação entre o deputado e Alexandre Ferreira. Engler afirmou que, para a sua surpresa, Ferreira, que não teve o apoio do parlamentar para a sua eleição, o tem procurado na tentativa de chegar ao primeiro escalão do governo paulista.
Esta, no entanto, não foi nem de longe a postura de seu antecessor, Sidnei Rocha, também do PSDB. Nos dois mandatos de Rocha, a quem Engler se referiu como “essa figura”, o deputado disse ter sido congelado. “Nos dois mandatos, eu nunca fui chamado para participar de nada, nem para tomar um cafezinho”, afirmou. “Não sei o motivo. Eu o trouxe para o PSDB, mas ele nunca deixou que eu participasse da sua administração.”
Inquirido a responder onde começa a campanha à reeleição e onde termina o mandado, já que não se afastou do cargo, preferiu dizer que a situação é a mesma entre todos os integrantes do Legislativo. “Se você for na Assembleia hoje, não vai encontrar ninguém. Neste período não funciona e é assim nos Estados, na Câmara dos Deputados, nos municípios.”
Ao ser questionado sobre a afirmação de alguns candidatos de que os representantes eleitos por Franca estão ausentes da realidade da cidade, Engler rebateu a crítica citando o que já conseguiu em seu mandato. “Querem tirar quem está eleito para tomar o lugar. Faz parte do jogo democrático.”
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