Água para a vida


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A ONU vem fazendo um importante alerta: a escassez de água já é uma realidade e afeta todos os continentes. Cerca de 1,2 bilhões de pessoas, ou quase um quinto da população mundial, vivem em áreas de escassez. Outros 1,6 bilhões enfrentam escassez de água por falta de infra-estrutura necessária para captar e levar água de rios e aquíferos, e o consumo cresce mais que o dobro da taxa de crescimento da população, o que faz aumentar o número de regiões com escassez crônica. Escassez de água é fenômeno tanto natural como gerado pelo homem. Há suficiente água potável no planeta para sete bilhões de pessoas, mas é distribuída de forma desigual, desperdiçada, poluída e mal gerida. Para lidar, a ONU estabeleceu Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, como fornecer água a uso doméstico e produtivos (agricultura, indústria e outras atividades), pois tem impacto sobre a pobreza e a segurança alimentar. Melhorar a gestão da água e águas residuais vence doenças transmitidas por mosquitos, como malária e a dengue. 
 
No Brasil, o governo já entregou cerca de 600 mil cisternas. Cada reservatório tem capacidade para 16 mil litros, suficiente para abastecer uma família de cinco pessoas por até oito meses, amenizando efeitos da seca prolongada. Quanto à transposição do rio São Francisco, que tem obras atrasadas três anos, o governo resolveu construir dois novos canais, em delirante sonho de grandeza, mas o nordestino continua padecendo com sede. Já em San Luis, Arizona (EUA), uma companhia planeja uma torre de vento, um cilindro oco, muito alto. No topo, água é aspergida reduzindo a temperatura do ar, que cai pelo tubo. Espera-se gerar ventos descendentes de 80 km/h. No solo, turbinas captarão esse vento e converterão em energia elétrica. Comprovando-se a viabilidade econômica do projeto, muitos locais que tem ar muito seco tornam-se interessantes. 
 
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

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