Demissões em fábricas abalam comércio e serviços


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Laura Junqueira, gerente de uma loja de calçados, também se queixa do momento para o comércio e registra menos vendas
Laura Junqueira, gerente de uma loja de calçados, também se queixa do momento para o comércio e registra menos vendas
As demissões e o ritmo mais fraco da produção no setor calçadista de Franca, que começaram a dar sinais de preocupação no primeiro semestre deste ano, já têm gerado reflexos negativos nos principais segmentos da economia local. Lojas, padarias e restaurantes da cidade apontam que as vendas desabaram desde o fim da Copa e admitem uma apreensão em relação aos próximos meses. A previsão do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) é que até dezembro ocorra o fechamento de cinco mil vagas no setor, a produção sofra um recuo de 1,2 milhão de pares e Franca tenha o pior fim de ano desde a crise de 2008.
 
Principal mola propulsora da economia da cidade, o setor calçadista chegou a empregar em outubro de 2013 mais de 30 mil funcionários. Em abril desse ano, esse número caiu para 28,4 mil e desde então continua em queda. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em apenas dois meses, 506 postos deixaram de existir, marca até então nunca registrada nesse período do ano.
 
Para o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, o retrocesso acontece devido a alta inflação, as taxas de juros elevadas e a insegurança econômica. “É uma soma de fatores que incluem também a ausência de reformas por parte do Governo Federal e o problema do dólar”, disse durante entrevista realizada na Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios), que terminou na semana retrasada em São Paulo, sem alcançar os resultados esperados.
 
Quem apostava na feira como uma alavanca para a indústria, agora teme pela ocorrência de meses difíceis e, consequentemente, por prejuízo nos negócios. Juliana Bertaggia é proprietária de um restaurante na avenida Brasil e diz que quase metade das refeições oferecidas diariamente é para funcionários da indústria calçadista. “Fico preocupada, pois dependo do setor. Tenho alguns clientes que já não estão vindo almoçar, porque não têm serviço e a situação pode piorar.”
 
No segmento de varejo, o cenário projetado também amedronta. A gerente do Lojão das Fábricas, que comercializa peças entre R$ 10 e R$ 30, Raquel Aparecida Cândida, disse ter sentido um enfraquecimento na circulação de clientes nos dias de semana e um recuo nas vendas em torno de 30%. Temerosa de que a situação não melhore, ela reconhece até mesmo o risco de demissão de funcionários.
 
“As pessoas cessaram as compras, estão segurando ao máximo os gastos. Ao invés de crescermos em relação ao mesmo período do ano passado, teremos queda”, disse a gerente geral da Junques Calçados Laura Junqueira, que citou ainda o atraso no pagamento de crediário.
 
Setor comercial
Para o presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), José Alexandre do Carmo Jorge, “as vendas estão piores que no mesmo período do ano passado por conta da redução do poder de compra e da correção salarial que não deu poder real de compra ao consumidor”. 
 
Alexandre também confirmou que o desemprego reflete diretamente nos setores de comércio e serviço e previu um crescimento ainda maior nos índices de inadimplência na cidade. 
 
De acordo com os dados do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), até o começo de julho do ano passado, a cidade possuía 45.459 devedores e 96 mil dívidas que juntas totalizavam R$ 24,5 milhões. Nesse ano, esse quadro saltou para 66.523 devedores e quase 133 mil dívidas que acumulam R$ 88 milhões. “Esses números aumentam a cada dia e preocupam a entidade”, reconheceu o presidente da Acif, José Alexandre do Carmo.
 

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