O Sebrae acaba de concluir levantamento segundo o qual o consumo fora das capitais e regiões metropolitanas do Brasil somou R$ 827 bilhões em 2013, o que representa cerca de 40% do total no País, de acordo com reportagem publicada na revista especializada Meio & Mensagem. O estudo foi feito em parceria com o Instituto Data Popular. O universo considerado é de 4,6 mil municípios, com aproximadamente 95 milhões de habitantes, equivalente a 49% da população brasileira. O relatório mostra um ambiente promissor para os pequenos negócios e um potencial inexplorado pelas grandes redes varejistas, segundo a conclusão de analistas de mídia. O veículo chega a opinar que há “descaso das grandes redes varejistas” em relação à nova realidade do perfil de consumo. A conclusão coincide com estudo da consultoria The Boston Consulting Group (BCG), abordado na edição anterior desta coluna. Para a consultoria, o mercado interiorano “ainda não é amplamente atendido por empresas nacionais e estrangeiras, cuja gestão ainda tende a investir mais em cidades grandes ou mais desenvolvidas”. O Meio & Mensagem lembra que levantamento da empresa IPC Marketing apontou que o consumo do Interior Paulista em 2012 representou 50,2% do total do Estado, somando R$ 382 bilhões.
“O consumo no Interior hoje já é maior do que o PIB de países como Chile, Dinamarca ou Portugal”, diz Luiz Barreto, presidente do Sebrae. Renato Meirelles, presidente do Data Popular, diz na publicação que foi interessante verificar que a população tem dinheiro, mas não tem onde gastar. “O empreendedorismo cresceu no Interior porque existe o consumidor com renda, mas não há oferta de produtos de grandes redes. Não podemos pensar em consumo e expansão de negócios sem olhar o verdadeiro Interior. As grandes empresas precisam olhar com carinho para essas regiões”.
Ainda segundo o Meio & Mensagem, os consumidores do Interior definem suas compras com base no preço e na qualidade dos produtos, dando menos importância às marcas, o que favorece ainda mais os pequenos negócios. Meirelles aponta forte potencial de crescimento em produtos e serviços de beleza, já que o crescimento econômico se deve, em boa parte, ao ingresso da mulher no mercado de trabalho. “Além de produtos, os serviços têm ganhado muito espaço. Existe grande potencial para o mercado do turismo, mas há muita dificuldade de capilaridade”, analisa. Já a consultoria BCG prevê tendência de crescimento nos setores automotivo, vestuário e serviços financeiros entre famílias de classe média e afluente.
O que os moradores do Interior do País pretende comprar em 2014, segundo o levantamento do Sebrae e Instituto Data Popular: móveis para a casa (23,2 milhões de pessoas), televisor (17,4 milhões), geladeira (13,2 milhões), máquina de lavar (12,1 milhões), viagem nacional aérea (11,8 milhões), notebook ou netbook (9,1 milhões), moto (8,8 milhões), carro (6,9 milhões), tablet (5,1 milhões), casa ou apartamento (4,8 milhões), viagem internacional áerea (4,1 milhões), smartphone (3,2 milhões).
O levantamento aponta o que consumiu a população do Interior no período de um ano: reforma do domicílio (R$ 265 bilhões), alimentação em casa (R$ 118,4 bilhões), medicamentos (R$ 61 bilhões), material de construção (R$ 53 bilhões), alimentação em restaurantes, bares e lanchonetes (R$ 52,4 bilhões), veículo próprio (R$ 51 bilhões), vestuário e confecção (R$ 36 bilhões), eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos (R$ 23 bilhões), higiene e limpeza (R$ 22 bilhões), educação (R$ 19 bilhões), móveis (R$ 19 bilhões), viagens (R$ 18,5 bilhões), recreação e cultura (R$ 17 bilhões), calçados R$ 14 bilhões), bebidas (R$ 12 bilhões) produtos de limpeza (R$ 6,6 bilhões) e livros e material escolar (R$ 5 bilhões).
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br
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