Diplomacia enfraquecida


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A diplomacia brasileira, depois de mais de uma década perdendo espaço no protagonismo mundial, foi colocada em sua real dimensão depois da declaração do porta-voz da chancelaria de Israel, Yigal Palmor, de que o Brasil é um “anão diplomático” e “parceiro diplomático irrelevante”. O Itamaraty reagiu, o ministro Gilberto Carvalho tentou minimizar a importância do referido funcionário, mas de concreto é que Palmor está coberto de razão: tornamo-nos irrelevantes no momento em que preferimos nos ligar a parceiros ideologicamente afins mas sem qualquer expressão em âmbito mundial.
 
Com tudo isso, o Brasil só perdeu. Vê o mercado internacional aos produtos brasileiros encolher principalmente pela incapacidade de se decidir entre o desenvolvimento do País ou o auxílio a “parceiros” que expropriaram a Petrobras (Venezuela e Bolívia) e aplicando dinheiro do contribuinte em obras em Cuba — que também nos leva uma boa quantia com a “exportação” de seus médicos. Não temos hoje parceiros estratégicos, mercados preferenciais e muito menos um bloco de livre comércio que nos beneficie. Até hoje, o Mercosul ainda não mostrou a que veio, pelo menos em relação ao Brasil.
 
O descompasso de nossa diplomacia corre mundo afora. A busca por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) tornou-se uma obsessão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levando-o a se aproximar de países governados por déspotas, perdoando dívidas e usando o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) para financiar obras nesses países, em que pese os grandes problemas de infraestrutura para os quais o banco deveria estar contribuindo para resolver.
 
A falta de comprometimento da diplomacia brasileira ficou patente quando o senador Roger Pinto conseguiu deixar a Bolívia (após mais de um ano asilado na embaixada brasileira em La Paz para não ser preso), em agosto do ano passado, graças à coragem de um funcionário da representação. Dois meses antes, no episódio em que o avião de Evo Morales foi revistado durante escala em Viena (Áustria), após a maioria dos países da Europa negar-lhe o espaço aéreo, o Brasil protestou. Mas meses antes havia ocorrido o mesmo com o avião da FAB que levava o então ministro do Exterior Antônio Patriota pela mesma Bolívia. Esta é a nossa diplomacia.
 
Há um velho ditado que diz: “Quem muito se abaixa acaba mostrando o traseiro”. E o Brasil está assim: curvando-se a interesses que nada acrescentam, virando as costas às oportunidades, principalmente em termos de mercado. O governo federal precisa mudar totalmente esta estratégia o mais breve possível. Ou seja: quem ganhar as eleições para a Presidência precisa mudar radicalmente estes parâmetros, mesmo que seja Dilma Rousseff. Porque o País não suportaria mais quatro anos andando para trás em termos diplomáticos, que afeta setores sensíveis, inclusive a nossa já combalida economia. Se nada mudar nesse sentido, estaremos fadados a perder ainda mais espaço diante dos demais países.
 
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