‘Em 4 anos, você não viu nenhum deputado andando por Franca’


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Márcio César de Souza é o candidato do PT por Franca a uma vaga na Assembleia Legislativa
Márcio César de Souza é o candidato do PT por Franca a uma vaga na Assembleia Legislativa
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Em novembro do ano passado, quando a Ação Penal 470, que tomou as manchetes com o julgamento do mensalão, ainda tramitava no Supremo Tribunal Federal, o vereador Márcio do Flórida (PT) defendeu os principais envolvidos em plena tribuna da Câmara. Após chamar os condenados José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino de “companheiros”, Márcio fugiu da polêmica. Durante a entrevista para esta matéria, o petista abortou qualquer possibilidade de estender o assunto e sentenciou: “Foi um momento de inconformismo, e eu não gostaria mais de falar disso”.
 
Aos 50 anos, Márcio César de Souza tornou-se, desde 2012, o único representante do PT na Câmara de Franca, situação que para ele é normal, mesmo tendo avaliado que entre 15% e 20% do eleitorado francano é fiel ao partido.
 
O petista disse que sua candidatura a deputado estadual veio de um consenso dentro da legenda que, com sua indicação, tinha por meta renovar os quadros, já que nas últimas três eleições o nome do partido foi Gilson Pelizaro - incluindo a disputa para prefeito, em 2012.
 
Em sua opinião, levando o histórico de votação dos eleitores de Franca no PT, a eleição para deputado é possível. Seu nome, acredita o próprio candidato, é uma opção que vai além daquela porcentagem comentada por ele que o partido obtém nos pleitos. Grande parte dos 2.313 votos obtidos por ele em 2012 pode não ter vindo da militância ou de simpatizantes petistas.
 
Nascido em São Joaquim da Barra, o vereador tem uma trajetória curiosa. Naquela cidade, por quatro anos, foi seminarista, experiência que influenciaria diretamente sua atividade pessoal e política, explicado por sua proximidade a comunidades católicas. A cidade natal, aliás, é seu segundo colégio eleitoral, onde pretende alcançar entre 5 mil e 10 mil votos. Lá a campanha já está nas ruas. Em Franca, começa no dia 1º de agosto.
 
Formado pela Faculdade de Direito de Franca, Márcio trabalhou por cinco anos como agente na Delegacia Seccional da Polícia Civil de São Joaquim. Posteriormente, passou a ocupar o cargo de oficial de Justiça no Fórum de Franca. Nesta condição, presidiu a Associação dos Servidores do Poder Judiciário. 
 
Para ele, o fato de estar concorrendo a novo cargo não diminui a confiança que recebeu de seus eleitores. “Fui eleito para representar a população de Franca. Como deputado estadual, vou ampliar essa representação”, disse. “Caso não seja eleito, continuarei vereador. Não há prejuízo algum para o eleitor.”
 
Pretende mostrar que como deputado estadual pode ampliar seu trabalho. “Terei maior autonomia para realizar algumas propostas, porque mesmo não sendo do partido do governador, terei as cotas de emendas parlamentares”, disse. “Como vereador, isso não acontece, porque tudo depende do prefeito, que tem deixado a desejar em várias áreas.” Em relação ao que pretende trabalhar na Assembleia, disse que o problema mais crítico em Franca é a Saúde, com situações “gravíssimas” sendo registradas nos atendimentos básico e de urgência. 
 
O candidato alfinetou os adversários, dizendo que, como deputados eleitos, deveriam dar mais atenção, mas estão afastados da realidade do município. “Os deputados precisam ter o compromisso de ajudar na Saúde de Franca. Mas, no nosso caso, vejo que estão completamente ausentes. Durante quatro anos você não os vê, mas certamente agora eles andarão pelos bairros.”
 
O vereador é contra a construção de um novo hospital em Franca, como o que foi comentado pelo deputado Gilson de Souza (DEM). Seria mais prudente, como considerou, aplicar dinheiro na ampliação da Santa Casa, com a criação de novos leitos e serviços.
 
No que diz respeito à Segurança Pública, tocou no mesmo tema da maioria dos candidatos: o combate às drogas. Márcio considera fundamental apoiar as clínicas de recuperação de dependentes químicos, profissionalizando os trabalhos, com aporte financeiro público. “É o que vou procurar fazer e, se não encontrar apoio, usarei das emendas a que tenho direito para repassar recursos a essas entidades.”
 
Como representante dos servidores do Poder Judiciário, posicionou-se contrário à mudança do Fórum de Franca para um prédio alugado por R$ 90 mil mensais, ao que chamou de “desperdício” do dinheiro público. “Não dá para dizer o que aconteceu. A direção anterior lutou e pediu um terreno para construir o novo prédio e quando a Prefeitura doa a área, ela aluga um imóvel por um valor desses”, criticou o vereador. O contrato assinado entre o Tribunal de Justiça e o dono do imóvel particular é de cinco anos, prorrogável por, no mínimo, mais um período.

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