O ator imita aquilo de novo, de arrepiar até os ossos
Quem tem o peito repleto de ódio faz mal seu papel
Poderia, o coração, quebrar-se num qualquer tropel
Tem gente que contra, medica-se no café dos outros
Entro no meu palco alma, apresento-me a meu novo
Tímido, obtuso, receoso. Rito de paz sacramentado
Embora pouco vergado sobre a dimensão esmaecida
Plácido, nu, feito céu que em manto escuro envolto
Projeto luz nascente, dum Amor intenso, quase calado
Ouvir com os olhos é graça deste sentimento suicida
Acalma minha eloquência, silencioso arauto reinventa
Põe flores no palco, cores vivas onde pouso o paladar
Camada nova de vida pura e terna tem sabor, sustenta
Acolhe e diz que a dor inevitável pode ser boa, vem curar
Sofrimento porém é opcional. O ator vive, não finge mais
Sonha, dedos enlaçado,s e dança em transe: porto e cais.
Débora Menegoti, universitária
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