Bola pra frente, Brasil!


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Não quero dizer com a expressão “bola pra frente” que o time brasileiro de futebol deve jogar no ataque. Para dizer a verdade, ele já não está jogando nem no ataque e nem na defesa. Já fomos o país do futebol. A última grande seleção foi a de 70. Há quarenta e tantos  anos não jogamos aquele futebol, um verdadeiro bailado num campo de grama, que encantou todo o mundo. Passado é passado. O que passou, passou. Vamos pra frente em busca de outras disputas em outros esportes onde poderemos ser os primeiros. 
 
A bocha, por exemplo, seria uma boa modalidade para adotarmos como esporte nacional. Os atletas não precisam correr 10 a 15 quilômetros por dia. Não precisam ser jovens, altos e musculosos. Podem ser velhos, barrigudos, carecas e baixinhos. Reidratam-se  com cerveja  geladinha servida à beira da arena onde se desenrola o jogo.Sem dúvida, é um esporte apropriado para a nossa índole.
 
Eu já fui um craque  na bocha .Tinha uma pontaria inigualável. Acertava bola, bolim e até o dedo de um primo, meu adversário no jogo. Certa feita, acertei três vezes no seu dedo. Porém, o malvado vingou-se da maneira mais traiçoeira possível.  Perto do campo de jogo, havia uma goiabeira e, num dos galhos, uma caixa de marimbondos. Quando eu passava bem debaixo da caixa, meu primo, que havia se distanciado estrategicamente, atirou uma pedra na caixa  e os marimbondos me atacaram sem dó ou piedade. Desse momento em diante, eu nunca  mais errei a bola ou o bolim.
 
O jogo de palitos seria outro muito apropriado ao biótipo do brasileiro.  Não exige gastos extraordinários na construção de estádios monumentais. O campo de jogo é a mesa de um boteco sempre  bem servida de cerveja e coxinhas fritas na hora.  É um jogo que não exige nenhum esforço a não ser o de esconder os palitos em uma das mãos. É um jogo de adivinhação   e malícia.
 
A pesca seria outra atividade bem ao gosto do brasileiro e  assim , prezado leitor, há muitas modalidades esportivas às quais podemos nos dedicar e atingir a liderança mundial sem tanto esforço,  disciplina,dor ou cansaço. 
 
E os estádios, os magníficos estádios construídos para a Copa, você me perguntaria: o que fazer com eles? Muito simples, meu caro leitor: é só transformá-los em arenas para a festa dos peões.
 
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
 
 

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