Nos últimos dias, as notícias não têm sido boas para a equipe econômica do governo federal. A cada anúncio os índices se revelam mais desanimadores. Na ilusão de que a Copa do Mundo no Brasil fosse capaz de provocar um verdadeiro “milagre econômico”, o Ministério da Fazenda frustrou-se e hoje não tem argumentos. Pela primeira vez, dias atrás, o Planalto foi obrigado a admitir que o PIB (Produto Interno Bruto), que mede o crescimento econômico do País, deverá ficar em torno de de 1% neste ano, corroborando todas as estimativas do mercado nas últimas semanas.
Vê-se que, diante destas novas previsões (que já colocam o índice inflacionário acima de 7%), a equipe econômica de Dilma Rousseff não sabe mais como agir. O único remédio, que desde 2008 vem sendo as desonerações de impostos para o setor produtivo, já perdeu toda a eficácia. A esperança de que as coisas se resolveriam, sem a necessidade de maiores intervenções do governo na atividade econômica, não permitiu que se buscassem outras saídas capazes de reativar a atividade e combater a inflação de uma vez só.
Agora, os índices baixos ainda atingem o emprego, uma das principais preocupações do brasileiro. As demissões -- inclusive na indústria calçadista francana -- intensificam-se, principalmente por causa do baixo desempenho do mercado interno que não consegue mais absorver o grosso da produção brasileira. Junte-se a isso um comércio exterior desfavorável e temos um quadro extremamente desolador. Se nada for feito, dias mais negros virão, uma vez que os investimentos estão travados em razão da falta de rumo das nossas finanças.
Atrelado ao Mercosul, o Brasil não conseguiu até hoje ampliar a sua presença em outros mercados, como União Europeia e Estados Unidos. A dissonância entre os anseios da indústria brasileira e a agenda externa do governo é real e prejudica mais o setor produtivo, que se vê perdendo mercados importantes diante de outros países da América Latina e para a China. No caso de Franca, a indústria calçadista sofre uma concorrência predatória e, diante da política cambial brasileira, não consegue colocar o seu produto de forma significativa em mercados antes tradicionais.
Às portas das eleições, a falta de investimentos em razão da inexistência de uma política industrial leva a um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixo, como o divulgado ontem pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). De acordo com o relatório, o Brasil ocupa o 79º lugar entre 187 nações. Embora tenha subido apenas um posto, ainda fica atrás de seus parceiros do grupo do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) - todos melhoraram mais. Entre 2008 e 2013 o País caiu quatro posições.
O índice é calculado a partir da avaliação de três quesitos: saúde, educação e rendimento. Isso deixa claro que não basta o Bolsa Família distribuir renda e reduzir a desigualdade e a miséria. Se não se criar uma política industrial realista, que beneficie o setor produtivo desde sua base, além de ser realizada uma ampla reforma tributária, dificilmente conseguiremos reverter esta situação.
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