Depois da família de Kelly Cristina Souza - sapateira de 27 anos que morreu em novembro do último ano após passar por três cirurgias em apenas quatro meses na Santa Casa - procurar a Justiça para denunciar por negligência a Saúde Pública de Franca, familiares da diarista Francisca Firmina da Silva, 47, fizeram o mesmo na última segunda-feira. Cada família pede à Prefeitura R$ 250 mil de indenizações por danos morais.
De acordo com o advogado Tiago Carrera, a principal alegação no processo da diarista que morreu 30 minutos após ter recebido alta médica do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, em março deste ano, é o erro “grosseiro” de diagnóstico. “A paciente chegou com sintomas claros de infarto. Até mesmo a vizinha de Francisca - que a acompanhou no atendimento -, de instrução modesta, indagou aos médicos se não poderia se tratar de um infarto, mas os profissionais disseram ser pneumonia. Quando os exames demonstraram que os pulmões estavam bem, mesmo com os sintomas agravados, Francisca foi liberada. Para piorar, receitaram um antialérgico que agravou a ocorrência de infarto.”
Para a mais velha dos quatro filhos da diarista, Natália Aparecida da Silva, ingressar na Justiça foi um meio de conseguir um auxílio para a criação de seus irmãos menores. “Meu pai, que tem problemas de saúde, ficou sozinho e para ele é difícil manter, sem a ajuda da minha mãe, a casa e a criação dos meus irmãos de 10 e 16 anos. Além disso, minha mãe foi tratada com muito descaso no Pronto-socorro.”
Desde o caso de Kelly Cristina, sete famílias de pacientes mortos acusaram, publicamente, o atendimento da rede municipal por negligência. Desses caos, pelo menos seis são investigados pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), pela CEI (Comissão Especial de Inquérito) criada pela Câmara Municipal e pela própria Secretaria de Saúde, que afirma ter aberto sindicâncias para apurar as denúncias.
Andamento dos casos
Os órgãos que instauraram investigações sobre o atendimento na Saúde Pública de Franca foram procurados pelo Comércio para informar qual a atual situação dos procedimentos. O Cremesp disse apenas que “todos os casos estão em fase de instrução”. Já a Secretaria de Saúde informou que “a Prefeitura aguarda os relatórios das demais sindicâncias e apurações abertas pelos órgãos médicos e entidades, incluindo o relatório da Comissão Especial de Investigação da Câmara Municipal, para anexar às apurações internas.” Por fim, o relator da CEI, vereador Márcio do Flórida (PT), disse que o relatório completo da Comissão será concluído e entregue até o dia 13 de agosto. “No momento, estamos analisando, junto ao setor jurídico, os aspectos legais do material que colhemos. Todas as pessoas envolvidas nos casos (famílias e profissionais) já foram ouvidas”, informou.
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