‘Não quero utilizar de dinheiro público na campanha eleitoral’


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O vereador Luiz Carlos Vergara (PSB) disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo
O vereador Luiz Carlos Vergara (PSB) disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo
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No começo de julho, quando decidiu se afastar da Câmara para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, o vereador Luiz Carlos Vergara (PSB) disse que estava tomando duas iniciativas de uma só vez. Ao deixar a cadeira na Câmara, passou o lugar para a sua suplente, Fátima Pires, pretendendo com isso deixar claro ao eleitorado que não está usando seu tempo e salário como parlamentar para concorrer nas urnas. Afirmou que quer passar a mensagem de que não é meio vereador nem meio candidato.
 
Sem apontar nomes, falou que muitos “aventureiros” estão em campanha, amparados pelo salário que recebem do contribuinte de Franca. “Não quero utilizar de dinheiro público, que é o salário, na campanha eleitoral.” 
 
Calouro em uma eleição em nível estadual, Vergara é figura conhecida na cidade e mais ainda dentro das estruturas da Saúde, onde exerceu cargos na Santa Casa, Sindicato da Saúde e Federação da Saúde do Estado de São Paulo, além de estar em seu segundo mandato como vereador e ter duas passagens no quadriênio final do governo do ex-prefeito Gilmar Dominici (PT), em que comandou as pastas da Habitação e da Saúde.
 
Nascido em uma fazenda em Cristais Paulista, filho de pais pequenos agricultores, Vergara chegou em Franca com 17 anos, onde veio viver “de favor” com a irmã. Pouco depois, conseguiu seu emprego como recepcionista da Santa Casa, passando a ocupar outras funções, posteriormente, como instrumentador do setor de ortopedia. 
 
Quase 30 anos depois, assumiu o cargo de articulador entre o hospital e os governos Estadual e Federal na busca por recursos, posto no qual, segundo afirmou, chegou a captar perto de R$ 11 milhões para equipar o hospital em quatro anos. Essa atuação, que misturou tantos cargos e funções, é o trunfo que ele espera ter junto ao eleitorado de Franca e região. 
 
Ao lançar uma crítica sobre a atuação dos deputados eleitos por Franca em relação à grave situação da Saúde Pública no município, Vergara disse que não atuará unicamente em favor das questões que envolvem este setor, mas terá gestões em Educação, Segurança Pública e Habitação.
 
Acredita que o problema na prestação dos serviços de Saúde em Franca não decorre da falta de dinheiro, mas da ausência de gestão. “Se fosse falta de dinheiro, o prefeito (Alexandre Ferreira, PSDB) não teria dito, ao lado do governador, de que não estava precisando de emenda alguma de deputado para mais recursos”, disse Vergara.
 
Em sua opinião, os baixos salários empurram os profissionais para longas jornadas de trabalho, o que acabou gerando a crise das horas extras. Para ele, a saída seria adotar o que outras 44 cidades já fizeram: um piso salarial e jornada de 30 horas semanais de trabalho. “Não respondo pela classe médica. Mas, na condição de vereador e de deputado, tenho que tocar na ferida. Não dá para aceitar cidades muito menores na região pagarem R$ 10 mil e aqui termos médicos trabalhando por R$ 3.400. A culpa não é do profissional, que está sobrecarregado, mas do Executivo.”
 
Na Educação, acredita que a falta de creches é o grande gargalo que o ensino básico enfrenta hoje em todo o Estado. Em relação à Segurança Pública, pretende ter atuação de enfrentamento da dependência química, buscando ampliar a rede de tratamento dos dependentes. Também considera preocupante a estrutura da Polícia Militar, a exemplo de Franca, com poucas viaturas para o policiamento ostensivo. “No Leporace, com 55 mil moradores, população maior que a de todas as cidades da nossa região, existe apenas uma viatura para o trabalho nas ruas”, criticou. 
 
No que diz respeito à Habitação, também puxou no tempo os exemplos de quando passou por esta secretaria na Prefeitura, de 2000 a 2002. Num paralelo com a gestão atual, disse que não se constroem moradias para as pessoas mais pobres. Pelo contrário, a gestão municipal estaria favorecendo grandes empreendimentos imobiliários em detrimento dos que não podem pagar prestações que começam em R$ 500. “Os representantes de Franca deveriam procurar saber por que o prefeito Alexandre Ferreira não destina área para a construção de 550 unidades populares. A população precisa disso”, comentou Vergara. 
 
Perguntado se não estaria transferindo para algum deputado uma obrigação que seria dele, como vereador, ele disse que questiona o Executivo todos os dias e que a resposta vem da forma mais “ridícula” possível: “Quem quiser que compre o terreno”.
 
Vergara disse que os 18 meses de sua atividade como parlamentar, para ficar só neles, podem exemplificar o trabalho que pretende realizar em São Paulo. “Acho que a soma de todas as minhas experiências me ajudará bastante. Não serei um deputado para proteger o governador, pois não é esse o papel. Quero ajudar a resolver nossos problemas.”

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